Jardins verticais viram febre na decoração. Confira modelos e saiba o que é preciso para ter um

Gabriel Navajas, especial para o Estado - Impresso

Dentro ou fora da casa, paredes vivas viram febre entre arquitetos e seus clientes

Jardins feitos pela paisagista Juliana Freitas, à meia sombra.

Jardins feitos pela paisagista Juliana Freitas, à meia sombra. Foto: Gabriel Rosa

SÃO PAULO - Dispor de um trecho de natureza em casa. Esse parece ser o objetivo imediato de quem, dispensando revestimentos convencionais, opta por cultivar um jardim vertical em uma, ou mais, de suas paredes. “Eles dão um tom especial à decoração. Transmitem paz, tranquilidade, sensação de acolhimento” diz o arquiteto carioca Bruno Carvalho.

Com ele concorda sua colega paulistana, Fernanda Marques. “É uma ótima opção para quem dispõe de paredes ou muros altos. Além de uma solução de efeito do ponto de vista visual, ele ajuda a ampliar as condições de conforto acústico e térmico, principalmente em espaços mais confinados”, comenta ela.

Projeto da paisagista Rafaela Novaes: luz e ventilação naturais.

Projeto da paisagista Rafaela Novaes: luz e ventilação naturais. Foto: André Fontes

Febre entre clientes e profissionais, os jardins verticais podem assumir diferentes formas e formatos. Vêm sendo utilizados, indistintamente, em paredes internas e externas. Ser composta por uma única espécie vegetal ou misturar várias. E, em geral, quem optou por um deles não costuma se arrepender. Segundo os adeptos, a experiência vale o investimento.

“De repente, aparece uma parede verde na casa. A alegria e a satisfação do cliente são instantâneas. Até quem não tem tanto apego à natureza se transforma”, observa Ricardo Adinolfi, arquiteto e proprietário da Wallplant, empresa que realiza a instalação de um jardim do tipo, por R$ 1,4 mil, o m².

Segundo ele, o primeiro requisito para quem pretende ter um é dispor de um ponto de água na parede onde o jardim será instalado. É a partir dele que os mecanismos de irrigação, rega automatizada e drenagem serão instalados. Depois, é só definir o sistema a ser implementado.

Em geral, são três as opções mais conhecidas: por meio de blocos cerâmicos, de vasos plásticos presos a treliças ou grades ou de manta hidropônica, ou em outras palavras, um tecido fibroso, ou de algodão, que funciona como substrato para o plantio. Daí a importância de contar com assistência especializada.

“É importante que os projetos sejam conduzidos em parceria com um especialista. Só ele é capaz de indicar o sistema e as plantas mais indicadas para cada caso. O cliente não pode abrir mão disso”, ressalta Carvalho.

No caso de o cliente optar pelos blocos cerâmicos, por exemplo, a Wallplant se encarrega de todas as etapas, da instalação à escolha das plantas. Uma decisão que deve ser tomada com critério, uma vez que, para um desenvolvimento adequado, cada uma delas necessita de condições de iluminação natural, substrato e de exposição aos ventos bastante específicas.

O sistema não é, no entanto, uma unanimidade entre os profissionais. Bruno Carvalho prefere montar seus jardins por meio de vasos de plásticos presos a uma grade. “A vegetação já vem plantada e a grade fica completamente camuflada”, destaca ele.

Independentemente da escolha, porém, em qualquer situação é imprescindível que o sistema de irrigação seja automatizado. Em geral, um pequeno aparelho, com timer determina a hora e duração exatas da rega. Enquanto a ‘alimentação’ das plantas é feita por meio de uma manta que substitui a terra.

“Sem irrigação automática, jardim vertical não dá certo, por vários motivos: a frequência de rega não é a correta, em geral, mesmo que se disponha de um funcionário para isso, ele não conhece a quantidade certa. Quando é parede fora, então, a água bate nas folhas e não alcança no solo”, alerta a arquiteta- paisagista Juliana Freitas.

Em relação às manutenções, recomenda-se que elas ocorram ao menos uma vez por mês. Na maioria dos casos, elas acabam sendo feita pela própria empresa que realiza a instalação. “É um cuidado fundamental. Nossa equipe faz podas, tira folhas secas e pode colocar adubo. Raramente substituímos as plantas. Apenas em casos de pragas ou tempestades severas”, explica Ricardo Adinolfi.

Quanto à seleção de espécies, Adinolfi recomenda para os interiores, variedades que se desenvolvem bem à meia sombra, como folhagens, lírio da paz, calatéias, que têm folhas coloridas e vistosas, bem como alguns tipos de samambaias, jiboias e peperômias. Já para áreas externas, as mais indicadas são plantas mais resistentes e que exijam pouca manutenção, como herbáceas (que tem uma família grande de folhas), flores e barbas de serpente.

“Nossos clientes começam a ver borboletas e passarinhos pela casa. Muda totalmente a rotina da casa. Eles adoram”, conclui Adinolfi.