Entre o design e a arte

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

O empresário Houssein Larouche, dono da Micasa, comenta a galeria de Pop Art recém- aberta por ele nos Jardins, e o prédio que restaurou no centro antigo de São Paulo

O empresário e galerista Houssein Jarouche

O empresário e galerista Houssein Jarouche Foto: LU PREZIA

Cultivada ao longo de 20 anos, a coleção particular do empresário Houssein Jarouche, dono da Micasa, foi o embrião da galeria dedicada à Pop Art que ele acaba de inaugurar nos Jardins. “A Micasa acabou virando referência para clientes à procura de arte, uma vez que eles percebiam por lá uma curadoria, um rigor estético”, comenta o empresário a respeito de sua loja de design contemporâneo. “Ao longo dos anos fui expandindo meus conhecimentos, além de que na Micasa sempre trabalhei com designers que atuam na fronteira com a arte”, lembra ele, que além da abertura de sua nova casa, acaba de concluir a restauração de um edifício de 1905, na região da Sé, outro dos assuntos abordados nesta entrevista exclusiva que Jarouche concedeu ao Casa.

O que o levou a se interessar por curadoria? 

Por ser um colecionador de Pop Art, alguns amigos conheceram minhas obras e começaram a me pedir ajuda. A notícia se espalhou, outras pessoas ficaram sabendo e também vieram me procurar. Em determinado momento, comecei a comercializar na Micasa parte de meu acervo pessoal. Clientes começaram a gostar do que viam e a me consultar. Paralelamente, comecei a comprar obras quando saía do Brasil, na base da confiança. Até que a ideia da galeria tomou forma. Diria que faço na arte o mesmo que sempre fiz no design: unir vocação estética e conhecimento do mercado.

A galeria recém-inaugurada por Larouche nos Jardins

A galeria recém-inaugurada por Larouche nos Jardins Foto: LU PREZIA

Os interiores do prédio Sé

Os interiores do prédio Sé Foto: LU PREZIA

O que mais o atraiu no prédio Sé? 

Minha relação com o centro tem início com o Plataforma 91, prédio que adquiri, reformei e acabou virando meu estúdio. No Sé achei a arquitetura incrível, como aliás de todos prédios a seu redor. Ideal para funcionar como locação para eventos comerciais e institucionais, no centro da cidade. Meus projetos são sempre assim. Antes de mais nada, movidos pela emoção, a parte comercial acaba acontecendo naturalmente.

A restauração preservou o visual desgastado do prédio. O próprio retrofit caminha nesta direção. Trata-se de uma opção estética? Sim, mas a preocupação primordial foi manter a arquitetura do lugar. Para mim, restaurar consiste justamente nisso: preservar ao máximo as marcas do tempo, com o mínimo possível de intervenções. Acrescentamos materiais industriais, desenvolvemos luminárias, grades. Fizemos um detonado bem acabado. Mas sem perder de vista o desenho original do imóvel.

O prédio na região da Sé, em São Paulo, recentemente reformado pelo empresário

O prédio na região da Sé, em São Paulo, recentemente reformado pelo empresário Foto: LU PREZIA