Em passagem pelo Brasil, Sou Fujimoto inaugura última mostra do ano na Japan House

Vivian Codogno - O Estado de S. Paulo

Japonês é reconhecido hoje como um dos nomes mais inventivos e aclamados da arquitetura internacional contemporânea

A arquitetura está por toda parte. E as linhas, ou a ausência delas, perceptíveis aos olhos mais sensíveis, são indissociáveis da vida do arquiteto Sou Fujimoto, que inaugurou nesta semana a última exposição do ano da Japan House São Paulo, ‘Futuros do Futuro’, em cartaz até 4 de fevereiro.

Arquiteto japonês Sou Fujimoto na abertura da exposição ‘Futuros do Futuro’

Arquiteto japonês Sou Fujimoto na abertura da exposição ‘Futuros do Futuro’ Foto: JAPAN HOUSE SÃO PAULO

Com produção de Toto Gallery MA, de Tóquio, a mostra é composta por painéis e pequenas maquetes que traçam um recorte da obra de Fujimoto, reconhecido hoje como um dos nomes mais inventivos e aclamados da arquitetura internacional contemporânea.

Sem pretender ser uma retrospectiva completa do trabalho do arquiteto, que assinou obras como a Musashino Art University Museum & Library, em Tóquio, e os pavilhões temporários, instalados em 2013, no jardim da Serpentine Gallery, em Londres, a exposição retrata bem muitas das ambiguidades presentes nos projetos de Fujimoto, nascido em Hokkaido, atualmente morador de Tóquio.

Detalhe do primeiro pavimento da mostra, que tem como tema ‘Arquitetura está em toda parte’

Detalhe do primeiro pavimento da mostra, que tem como tema ‘Arquitetura está em toda parte’ Foto: JAPAN HOUSE SÂO PAULO

Natural de uma cidade cercada por elementos naturais, Fujimoto encontrou no contraste entre as estreitas ruas da capital, suas pequenas casas e o repertório do interior a essência de seu estudo sobre projetos arquitetônicos. Como a relação entre espaços internos que se confundem com externos, como quintais que se assemelham a ruas e ruas que são ocupadas como quintais. “A árvore tem muitos ramos, e todos eles são um cenário para um lugar e uma fonte de atividades em várias escalas. O ponto intrigante de uma árvore é que esses lugares não estão isolados hermeticamente, mas estão conectados um ao outro em sua relatividade única”, define Fujimoto.

Dividida em duas alas, a mostra apresenta no térreo da Japan House o tema ‘Arquitetura está em toda parte’, com 70 peças montadas de maneira a propor uma aproximação maior com o público, além de fomentar uma experiência de pensamento sobre novas possibilidades de uma arquitetura que deve ser encontrada permanentemente. “Neste momento, simples parafusos ou caixas de fósforos são retratados com inimagináveis temas arquitetônicos. Aqui, temos maquetes que vão do inusitado ao interessante”, declara o arquiteto.

No segundo andar, o tema ‘Futuros do Futuro’ exibe 50 peças e 20 painéis de trabalhos executados há tempos e outros recentes do arquiteto. Neste setor, que apresenta maquetes de projetos emblemáticos e outros que ainda estão em andamento, é possível observar as ideias de Fujimoto para a arquitetura do futuro, incluindo tentativas, acertos e erros. A ‘imaginação da imaginação’, outro conceito trabalhado por ele, também pode ser observado em projetos elaborados para diversas partes do mundo, mas que ainda não foram executados.

Na House NA, projetada por Fujimoto em Tóquio, quem está fora enxerga o que está dentro, quem está dentro vê o lado de fora

Na House NA, projetada por Fujimoto em Tóquio, quem está fora enxerga o que está dentro, quem está dentro vê o lado de fora Foto: Iwan Baan

A visão predominantemente idílica de Fujimoto, que relaciona as florestas de sua infância com as linhas de seus projetos, dá origem, por sua vez, a construções engenhosas como a House NA: uma casa transparente vertical localizada em Tóquio, com 914 m², feita de concreto e vidros, com espaços internos vazados ligados por escadas e patamares, incluindo degraus fixos e móveis. Quem está fora, enxerga o que está dentro, quem está dentro, o que está fora.

“Ao estratificar pavimentos quase móveis, em todo o espaço, essa casa propõe nichos vivos, orquestrados pela sua relação com o tempo, semelhantes aos galhos de uma árvore”, comenta Fujimoto sobre a obra em questão. “É uma casa que proporciona intimidade para quando dois ou mais indivíduos escolhem estar próximos uns dos outros, e distância suficiente para quando eles preferem se isolar. Como um todo, ela forma uma plataforma para uma comunicação em rede”, idealiza ele.