EM ITU, PEDAÇOS DE BOA HISTÓRIA

- O Estado de S.Paulo

A cidade, que se prepara para a celebração de seus 400 anos, recebe mostra de arte e antiguidades

Itu é pequena - 150 mil habitantes -, mas tem vários orgulhos. Um deles é ter sido o berço do primeiro presidente civil do Brasil, Prudente de Moraes; outro, com certo exagero, é a de ser a cidade que mais fala da história neste País. De qualquer forma, Itu parece realmente o lugar certo para abrigar a 6ª Mostra de Antiguidades e Artes, que se estende até o próximo dia 22. A exposição, com pouco mais de 15 expositores, entre galerias de arte e antiquários nacionais ''''selecionados a dedo'''', segundo seus organizadores, reúne antiquários de Itu, de São Paulo, Salto, Campinas e Porto Feliz . O local escolhido é o charmoso Espaço Fábrica São Luiz, tombado pelo patrimônio histórico, onde funcionou a primeira fábrica brasileira de tecidos a vapor, fundada em 1869, e que se manteve ativa até 1982. Com mania de maior em tudo (espécie de complexo que, com bom humor, assumiu nos anos 70), belas e seculares igrejas bem preservadas, prédios históricos, museus exclusivos, como o da Energia (1847) e o Republicano (1867), parques, casas de bandeirantes, fazendas de café e um dos melhores campos de golfe do País, Itu é a cidade, depois da capital, que possui mais lojas de antiguidades, muitas fundadas na década de 60. A exposição abriga móveis, tapeçaria, quadros, esculturas, peças genuínas de decoração, utilitárias e colecionáveis, de várias épocas e diversos lugares do mundo. ''''Hoje em dia, tudo o que existe de antigo está nos museus do mundo ou nas mãos dos comerciantes, colecionadores e preservadores. Um evento assim é também um movimento cultural de resgate do bom gosto, pois divulga os nomes dos criadores de peças originais e com real significado através dos tempos'''', ressalta o curador Hélio Paiva. Um dos destaques da exposição é uma magnífica fruteira em prata de lei, alemã, que pertenceu ao Conde do Pinhal, Antonio Carlos de Arruda Botelho (1827- 1901), da Hélio Paiva Antiguidades, que ostenta na parte central o monograma ''''CP'''', sob a coroa de conde. No dia 14, a partir das 19 horas, irão a leilão essa e outras peças emblemáticas, como xícara e pires que teriam pertencido a d. Pedro II (da Hélio Paiva, com lance inicial de R$ 1.200) e um prato de Francisco Glicério (também da Hélio Paiva, com o lance de R$ 700). Todos os expositores prometem apresentar suas raridades. A AR Antiguidades, da própria cidade, expõe uma das peças mais caras: um móvel de farmácia em pinho-de-riga do século 19, totalmente restaurado, com 4,70 m x 2,60 m, que não sairá por menos de R$ 60 mil. Apreciadores de tapetes orientais poderão encontrar um par de passadeiras iranianas com mais de 100 anos (a partir de R$ 8 mil, na Raimundo Tapetes). Kemel Farhoud e Irineu dos Santos, sócios da paulistana Bureau D''''Art, levam sua pérola: um par de candelabros palacianos de bronze e banhados a ouro, da França, século 19 (por R$ 60 mil). O colecionador Rodrigo Lucas Teixeira também expõe seus tesouros: um prato de Sèvres azul-cobalto, com cenas idílicas ao centro e armação em bronze, do século 19; um conjunto de relógio e vasos em faiança checa, da década de 20; luminária em porcelana, representando uma dama antiga, da Alemanha, século 20; um par de vasos franceses de opalina, possivelmente da cristaleria Baccarat, e um vaso com desenhos florais, no estilo art déco, Le Verre Français, criação de 1920. Esses são itens com preços sob consulta e de deixar boquiaberto até mesmo o mais leigo no assunto. Mas há também mercadorias para outros bolsos: os apreciadores de prataria, por exemplo, podem encontrar peças brasileiras, portuguesas, inglesas e alemãs a partir de R$ 300, na AR Antiguidades.