Em apartamento compacto, reforma delimitou ambientes e manteve privacidade em 28 m²

Vivian Codogno - O Estado de S. Paulo

Parede tijolos vazados de concreto isolou o espaço onde fica a cama sem que a luminosidade, que entra no apartamento por uma única janela na cozinha, fosse dissipada

Dotar um apartamento de pouco mais de 20 m² de condições que preservem os ambientes da privacidade necessária a cada um de seus ocupantes pode parecer uma tarefa impossível. Foi este porém o desafio enfrentado pela arquiteta Sarah Bonanno, do escritório Tría Arquitetura, neste apartamento na região da Vila Olímpia, em São Paulo. “Meu principal objetivo foi chegar a uma proposta adaptável a qualquer tipo de morador. Esteja ele sozinho ou acompanhado”, conta.

A estrutura de madeira freijó serve de apoio à cama e ao sofá, no quarto e na sala

A estrutura de madeira freijó serve de apoio à cama e ao sofá, no quarto e na sala Foto: Alessandro Guimarães

“Esses estúdios costumam ter privacidade mínima. Há casos em que você entra pela porta social e já vê a cama. São praticamente quartos de hotel”, explica Sarah, que ousadamente procurou imprimir uma atmosfera de casa a um imóvel desse tipo. “Procurei definir ambientes em que fosse possível não apenas passar a noite, mas sim viver e curtir o dia”, reflete a arquiteta.

Para alcançar o efeito desejado, o quarto foi o primeiro a ser segmentado. Uma parede tijolos vazados de concreto isolou o espaço onde fica a cama sem que a luminosidade, que entra no apartamento por uma única janela na cozinha, fosse dissipada. O banheiro, localizado atrás do quarto e até então sem divisórias físicas, também foi escondido por uma persiana. “Em ambos os casos, as ‘paredes’ permitiram a circulação de ar e a entrada da iluminação natural”, detalha Sarah. “São soluções simples e que não envolvem procedimentos trabalhosos ou caros. No caso da persiana, ela ainda ajuda a regular a luminosidade”, conta.

Além das barreiras visuais, outro componente que limita os cômodos fisicamente é a estrutura de madeira freijó que abriga, ao mesmo tempo, a cama e o sofá, até chegar à cozinha. “Optamos pela freijó porque esse é um tipo de madeira que se harmoniza bem com outros tons de revestimentos e móveis”, analisa a arquiteta. “Ela sugere conforto, mas não pesa. Num ambiente pequeno, isso é muito importante para não aumentar ainda mais a sensação de confinamento”, completa Sarah.

Parede de tijolos vazados decora e isola o quarto dos demais ambientes

Parede de tijolos vazados decora e isola o quarto dos demais ambientes Foto: Alessandro Guimarães

Por sua vez, a área que funciona ao mesmo tempo enquanto cozinha, sala de jantar e lavanderia foi ampliada com a incorporação da varanda, que ocupava cerca de 7 m² do apartamento. Procedimento, aliás, bastante comum em projetos que buscam otimizar o espaço em moradias compactas, uma opção que vem crescendo vertiginosamente em São Paulo. Conforme apontam dados do Secovi-SP, entidade que representa o setor imobiliário, os apartamentos com menos de 45 m² já representam hoje 42,6% das unidades lançadas na capital paulista em 2017. No ano passado, esse número era de 30%.

“Nesses casos, costumo investir em tons crus. A partir daí, o morador tem flexibilidade para mudar o espaço como quiser”, explica Sarah. “O mobiliário planejado, e inteligente, é outro trunfo. Ele também pode aumentar, e muito, a sensação de amplitude”, completa.