Design que se sente no ar

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Fragrâncias selecionadas por grandes perfurmistas, embaladas (e difundidas) pelo mais puro plástico

A vela Oyster aberta

A vela Oyster aberta Foto: Marcelo Lima

Lançada oficialmente em janeiro deste ano, durante a Maison & Objet, em Paris, a primeira edição do projeto Kartell Fragrances, com quatro tipos distintos de difusores aromáticos de plástico, chegou embalada por quatro fragrâncias. Sem contar seu arsenal de velas perfumadas, varetas absorventes e aromas encapsulados. Mesmo em um mundo há muito povoado por frascos e mais frascos de perfume, era a primeira vez que a embalagem, sem falsa modéstia, se aventurava a se sobrepor a seu conteúdo. Ou, ao menos, de se colocar à altura dele.

“Gostamos de atuar em diferentes áreas, mas sempre preservando nossa identidade. Nossos valores são a qualidade, o design e a funcionalidade. Disso não abrimos mão", adverte Claudio Luti, presidente da Kartell, líder mundial na produção de móveis plásticos mas que, só nos últimos dois anos, realizou três investidas no sentido de ampliar seus mercados.

“Começamos por atualizar nossa linha de utensílios para mesa, com a coleção Jellies Family de Patricia Urquiola. Depois, vieram os produtos para banheiros desenhados em parceria com a Leufen. Agora, chegou a vez dos perfumes”, conta Luti. “Trabalhar com perfumes nos faz sentir especiais. Para isso, selecionamos os melhores narizes do mundo”. 

Feita a escolha inicial, coube ao arquiteto italiano Ferruccio Laviani a delicada tarefa de sincronizar o design da coleção com o "nariz" dos renomados perfumistas selecionados pelo empresário. Entre eles, Annie Buzantian, Honorine Blanc e Fabrice Pelegrin (da casa Firmenich); Mathieu Nardin, da Robertet; Celine Ripert, da Mane e Marie Hugentobler, da Cosmo.

Como sempre acontece, mais uma vez, a inovação tecnológica desempenhou papel fundamental no processo. “Sempre que uma nova categoria de produto passa a figurar no nosso catálogo, uma variedade inédita de plástico acaba sendo desenvolvida. É inevitável”, explica o arquiteto.

No caso da atual coleção, por exemplo, o contato direto do perfume com a matéria plástica exigiu que a durabilidade do material fosse aprimorada. Já entre as velas (com suportes disponíveis em oito cores) o desafio foi de outra ordem. Com um período médio de combustão de 40 horas, Foi necessário adaptar o plástico para suportar o calor da chama. 

E as novidades não param por aí. Além de peças que funcionam como suporte ou vaso perfurado para acomodar as hastes de madeira, existe também um modelo eletrônico, alimentado por bateria, que pode ser recarregado no computador pessoal e conta com mecanismos de difusão ajustável por controlo remoto.

Evocando o movimento Art Déco, com formato semelhante aos dos antigos frascos de vidro franceses, a peça em questão, o Perfume Gun, talvez o mais emblemático dos difusores assinados por Laviani, oferece condições de visibilidade até então inéditas, em se tratando de um pulverizador doméstico. Esteja ela onde estiver, na sala, no hall ou no quarto, é impossível não atentar para sua imponente presença.

Assim, a um só tempo funcional e decorativa, a coleção Kartell Fragrances propõe uma rara intersecção entre o mundo dos perfumes e do design de interiores. Em ambientes residenciais ou corporativos, seus componentes se mesclam bem a qualquer estilo decorativo. Com a evidente vantagem de nunca ficarem inativos. “Mesmo quando não está em ação, a coleção está sempre decorando”, comenta Claudio Luti.