Dança das cadeiras

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Grife de moda italiana se inspira em ritmo musical colombiano e lança coleção de moda e design em Milão

Paredes desgastadas servem de pano de fundo para a exposição da linha de móveis lançada pela Marni em Milão, durante a Semana de Design

Paredes desgastadas servem de pano de fundo para a exposição da linha de móveis lançada pela Marni em Milão, durante a Semana de Design Foto: divulgação

Cumbia é a música nacional da Colômbia. Com influências nativas e europeias, se integra a múltiplas manifestações locais,  que faz dela a mais difundida no país. E é muito ouvida não só nele: o ritmo está disseminado pelos países falantes do espanhol na América Latina.

Do outro lado do Atlântico, Marni é uma grife de moda de linhagem recente. Fundada em 1994, como tantas outras na Itália surgiu como uma empresa familiar. Seu foco principal está no desenvolvimento de vestuário, bijuterias e calçados femininos. Mas o segmento masculino está igualmente representado em roupas, óculos e acessórios.

Longe de se resumir a um estilo, segundo sua fundadora e diretora criativa, a estilista Consuelo Castiglioni, suíça de origem italiana, a Marni pretende oferecer uma gama de possibilidades. Daí a abordagem experimental de suas roupas – suas coleções sempre imprevisíveis, marcadamente emocionais e ecléticas; seu desejo de celebrar a individualidade.

No mundo da moda, a grife é famosa por angariar clientes fiéis. Ou oponentes declarados. “Ou você ama ou odeia a Marni. Aqueles que gostam, geralmente o fazem porque para nós não há temporadas. Você não descarta nossas peças. Você as mantém e volta a usá-las novamente”, explica a designer.

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Interessada em tudo o que se passa a seu redor, Consuelo costuma envolver artistas, tanto famosos quanto emergentes, na criação de projetos especiais envolvendo disciplinas criativas como as artes gráficas e o design. No mais recente deles, que teve lugar na última edição da Semana de Design de Milão, em abril, ela resolveu voltar seus olhos e ouvidos para a Colômbia, país que conheceu recentemente, e acabou botando todo mundo para dançar.

“Partindo de um ritmo musical, procurei interligar minha coleção, uma ideia de design e a tradição artesanal da Colômbia, país que me impressionou muito”, declarou a designer na abertura de Marni Ballhaus: evento onde, em meio a um cenário tropical, que misturava saias flutuantes, paredes descascadas e móveis trançados à mão, os visitantes eram convidados a se iniciar na cumbia. 

Colocando dançarinos à disposição do público interessado em ensaiar seus primeiros passos, Consuelo transformou o espaço multifuncional da marca, um galpão industrial no Viale Umbria, centro de Milão, em um autêntico salão de baile, onde as tradicionais saias circulares usadas pelos dançarinas de cumbia apareciam suspensas em uma formação circular, servindo como pano de fundo para o lançamento da mais nova de móveis da marca.

Cadeiras, espreguiçadeiras, pequenas mesas, lâmpadas e vasos, de um cromatismo intenso, com estrutura de metal e corpo trançado à mão, com fios de PVC, idealizados pela equipe da estilista e produzidos na Colômbia, especialmente para a Semana de Design. Móveis que, apesar de toda a simplicidade – é do mero entrelaçamento de fios sobre a estrutura de aço que nascem bases, assentos e encostos –, manifestam a mesma aura de atemporalidade que caracterizam as criações da estilista.

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“Trata-se, antes de tudo, de um gesto de retribuição a um país que tanto me inspirou. De repente senti que meu compromisso com a Colômbia poderia ir além da moda. Por isso, encomendei essa coleção de móveis a um grupo de artesãs locais, que ganhou independência e liberdade através do trabalho. E é isso que acredito que faz dela algo tão rico e precioso”, considera Consuelo.

Produzida em edição limitada, a série, que está sendo comercializada nos showrooms da marca, reforça ainda o compromisso da Marni com programas assistenciais: como já aconteceu com outras iniciativas da marca, parte das vendas de sua coleção de móveis será doada a associações beneficentes que se dedicam ao fornecimento de alimentos para centros de refugiados.