Conheça um apartamento onde o abajur é protagonista

Gabriel Navajas, especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

Empregados em profusão, objetos se destacam na decoração do designer de interiores Bruno Carvalho

Dias frios pedem ambientes quentes, pontuados por abajur.

Dias frios pedem ambientes quentes, pontuados por abajur. Foto: Sergio Israel

Não importa para onde se olhe: os abajures são protagonistas na decoração deste apartamento de 74 m², localizado no bairro da Consolação, em São Paulo. E, ao que tudo indica, por lá permanecerão por muito tempo. Ao menos no que depender do desejo de seu proprietário. 

“Por mais que a tecnologia evolua e por mais que um ambiente se pretenda moderno, o abajur terá sempre o espaço dele. É um clássico. Acompanhou todas as mudanças, é atemporal”, afirma o designer de interiores Bruno Carvalho, um adepto incondicional da dobradinha base e cúpula.

Basta olhar os ambientes de sua casa para se perceber todo o apreço que o profissional nutre pelo objeto. E não apenas em função de seu desempenho luminoso. Mais do que apenas iluminar, cada abajur tem para Carvalho um significado maior e especial.

“Meu apartamento é cheio de histórias. Além de gostar muito de abajures, me agrada a ideia de compor projetos sensoriais. Eu queria que minha casa fosse feita de recordações, cheia de memórias. Que cada objeto contasse uma história e, nesse sentido, os abajures não fogem à regra”, explica o profissional. 

Entre tantas e tantas passagens, Bruno Carvalho se lembra particularmente de uma: voltar de uma viagem a Londres, perdidamente apaixonado por um abajur, quando passou o trajeto inteiro de volta para o Brasil com a peça em seu colo no avião. “Meu caso com os abajures vem de longe. Começou porque sempre tive dificuldades para dormir. Fiz uma terapia de sono, não podia acender luzes no quarto. Tinha que acender o abajur, para obter uma luz indireta, intimista. Ou seja, meu interesse antecede o decorativo. É algo sensorial”, conta.

Não por acaso, seu quarto dispõe de dois abajures nas cabeceiras, um de cada lado da cama, na medida das aspirações do design. Como acontece na sala, Carvalho dedica grande atenção à harmonia presente entre base e cúpula. Mas, igualmente, à sintonia entre iluminação pontual e ambiente. 

“Para iluminar o espaço como um todo uso spot de LED tradicional, para não roubar a cena do abajur, que é prioritária. Fica muito mais elegante viver em ambientes iluminados por eles. Modas vêm e vão, mas eles são eternos. A iluminação geral na minha casa é simples e funcional. Quem rouba a cena é sempre o abajur”, observa o designer. Mas, ainda assim, para que o objeto alcance o melhor de sua performance, sem ocasionar maiores desconfortos, é preciso ficar atento para alguns procedimentos.

“É sempre importante que a luz emitida pela lâmpada não fique visível. Por isso existe a cúpula. Se o abajur ficar em uma posição muito baixa, a luz acaba vazando por cima. É importante posicionar a cúpula da altura dos olhos para cima. E que a intensidade da luz seja igualmente controlada”, ressalta.

Apesar de adepto incondicional do uso de abajures, Bruno não abre mão das comodidades tecnológicas. Especialmente se elas puderem ser associadas a seus objetos de desejo. Por isso, ele dispõe em casa de um programa de automação que permite controlar o acendimento das peças por meio de aplicativos no telefone celular ou também de sensores. O designer também exige que toda a iluminação seja feita por meio de lâmpadas LED.

“Além da economia, o programa possibilita que eu controle a intensidade da iluminação nos ambientes. Posso, por exemplo, providenciar uma luz mais rebaixada para um jantar, mesmo antes de chegar em casa”, explica ele. “O aplicativo funciona bem, mas todas as lâmpadas do sistema têm de ser LEDs.”

Em relação à escolha da cúpula, Carvalho aconselha que cada um siga seu gosto pessoal. “É muito particular. O importante é manter a proporção com a base. Quanto ao tipo, cores, materiais e nível de transparência o melhor é deixar a critério de cada um”, destaca ele, que usa e abusa dos abajures no inverno.

“No verão, você acaba usando menos porque o dia fica claro até mais tarde. Já nos meses mais frios, o abajur se faz realmente presente. Ele acolhe, dá um ar mais dramático, promove aquela coisa gostosa de você querer entrar, querer ficar em um ambiente. Acho que ele, de fato, aproxima as pessoas”, conclui Carvalho.