Conheça o morador de BH que quis fugir da mesmice

Gabriel Navajas, especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

Mineiro Aloysio Bello optou por uma decoração moderna, com itens 'brutos'

A decoração deste apartamento de 90 m², no bairro Anchieta, em Belo Horizonte, chama a atenção por sua atualidade, com itens “brutos” e acabamentos rústicos. “Eu queria uma coisa que sacudisse a mim e a quem me visitasse. Longe da mesmice”, conta o psicanalista Aloysio Bello, de 75 anos. 

Coube ao arquiteto Fabio Marins a missão de dar cara nova ao imóvel que ele acabara de comprar. “Ele me pediu algo sem caretice, algo que mostrasse personalidade, nada de formalismo. Desde o início optamos por deixar quase tudo aparente, descascado. Dutos, vigas, estruturas”, revela Marins.

Segundo o arquiteto, uma atitude brutalista que tem ganhado cada vez mais adeptos e que no caso desse apartamento, veio de encontro ao desejo do proprietário de sair do lugar comum. “Muitos elementos que compõem a decoração vieram da construção, mas outros tiveram de ser garimpados”, conta Marins.

Assim, como base da ambientação, o arquiteto optou por objetos com aspecto industrial. Ao lado dos dutos, aparece, por exemplo, uma luminária da mesa que era refletor de um campinho de futebol, que estava jogado em um ferro velho. O mobiliário da cozinha está como veio da serralheria, sem pintura. 

“O serralheiro deu uma lixada e interrompemos o processo de ferrugem. Ficou com um aspecto bem rústico, sugerindo uma decoração marcada pelo tempo”, diz. Paralelamente, o arquiteto recorreu à madeira para aquecer a ambientação. “A mesa era de um vagão de trem, de uma Maria Fumaça”, destaca Marins. 

Para quem visita o apartamento, o banheiro é outro destaque. A pia é sustentada por um gabinete de máquina de costura antiga. Entre a cozinha e a área de serviço, uma porta estilo “faroeste” foi colocada para evitar que as roupas fossem avistadas no varal.

“O lance é fazer as coisas antigas reviverem dentro de um contexto contemporâneo. Daí a ideia de deixar os materiais mais à mostra, sugerindo um visual mais informal e despojado. No caso do meu cliente, só posso dizer que caiu como uma luva”, diz o arquiteto.

“O trabalho do Fábio me deu a sensação de habitar um lugar gostoso, agradável aos olhos”, vibra, de sua parte, Aloysio Bello.