Caixa mágica

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

A cozinha não é o lugar mais usado da casa, mas ganhou destaque com o revestimento de madeira que vai do chão ao teto

O apartamento já estava pronto para morar. Em Perdizes, com 70 m², tinha armários embutidos, porcelanato no piso, cozinha americana. Mas, bem, não era exatamente o que um jovem que trabalha com moda procurava. Os revestimentos, além de antigos, originais da construção dos anos 1990, não transmitiam a personalidade moderna do novo morador. 

Convencer os pais de que o espaço precisava de algo a mais não foi exatamente fácil, mas a negociação por um patrocínio contou com a ajuda do amigo e arquiteto Celino Neto, que garantiu que não seria preciso fazer grandes obras para transformar o lugar. “Tivemos um orçamento limitado, por isso, focamos no que mais importava: fazer com que aquele imóvel sem personalidade tivesse tudo a ver com o cliente, que viaja muito e desejava um lugar com cara de lar”, conta Neto.

A reforma começou por pequenas modificações na planta da casa. Originalmente com dois quartos, a derrubada de uma das paredes deu lugar a uma pequena sala de TV, que, com uma porta de correr, serve também para acomodar os pais, que passam temporadas por lá. “Adaptamos o lavabo e o transformamos em banheiro, para fazer com que esse espaço multiúso desse mais privacidade aos hóspedes, já que vira suíte quando a porta de correr está fechada”, explica.

A cozinha, mesmo sendo pouco utilizada pelo morador, acabou virando o centro das atenções da casa. Toda revestida de madeira cumaru, é como se fosse uma caixa. “Já que o cliente não costuma cozinhar, pude ousar na escolha do revestimento, mas, mesmo assim, optei pelo cumaru, uma madeira que resiste bem à água.”

Os painéis de madeira vão das paredes até o teto. Os armários também foram trocados, por modelos de madeira, para que se camuflassem no ambiente. O mesmo tipo de madeira foi usada para revestir todo o piso do apartamento. No banheiro da suíte, ela serviu para fazer um pequeno deck no box, que esconde o porcelanato antigo. “Queria que os banheiros seguissem a mesma linha do resto da casa, com itens de personalidade. Por isso, garimpamos espelho e prateleira numa feira de antiguidades e mandamos restaurar. O armário foi feito sob medida para que seja uma continuação da cuba da pia, sem chamar tanto atenção”, explica Celino. 

Para decorar o novo lar os amigos, arquiteto e cliente, fizeram questão de usar peças de família misturados aos que o jovem traz das muitas viagens que faz pelo mundo. Tem o quadro dos avós que foi repaginado e ganhou moldura nova, o trio de mesinhas laterais que veio de Buenos Aires e o sofá com tecido assinado pela estilista preferida, Clô Orozco, peça única, vendida pela Micasa. 

Para surpreender o amigo em uma de suas voltas para o Brasil, Celino Neto fez da pequena varanda, um jardim. Instalou deck, suportes de bambu para bromélias, espalhou vasos com folhagens e antúrios. Era o toque final para o apartamento, finalmente, virar um lar.