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Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Bianca Barbato faz de seu trabalho uma constante experimentação

Mesas Trama, com estrutura de latão escovado e tampo de marchetaria de metal ou quartzo azul

Mesas Trama, com estrutura de latão escovado e tampo de marchetaria de metal ou quartzo azul Foto: Francio de Hollanda/ Divulgação

O corte preciso a laser em uma poltrona de ferro faz a peça parecer tão leve quanto o nome da série a que pertence. A Rendas, recém-lançada, é um dos trabalhos que se destacam no portfólio da designer autodidata Bianca Barbato. Na última edição da Paralela Móvel, feira de design de mobiliário realizada no início do mês em São Paulo, sua luminária Cabaça chamou atenção. Quase transparente e arredondada, parece ser de vidro. “Sempre procurei por materiais translúcidos, foi assim que cheguei à resina quando criei as primeiras peças dessa série, em 2006”, diz Bianca.

A busca por materiais com essa característica não é por acaso. Encantada por iluminação, Bianca colecionava luminárias na época em que ainda trabalhava com cinema. “Partiu daí o meu gosto por mobiliário. Comecei fazendo protótipos, com muita pesquisa, não só de materiais como também de processos de fabricação”, conta. Seu primeiro trabalho como designer foi a mesa Sagu, de acrílico, equipada com uma lâmpada no interior. Por dentro, uma divisória separa a lâmpada das bolinhas de plástico que acompanham a peça. 

Seu gosto por luminária também rendeu frutos em experimentos feitos com outros materiais, como o latão, cortado em formas arredondadas para fazer a Bola, uma arandela que usa cerâmica e fio revestido de tecido. “A pesquisa para fazer cada objeto é muito grande. É preciso estudar como cada material vai se comportar naquele objeto, buscar fornecedores, às vezes, um para cada peça do objeto. É um processo longo que, no caminho, pode mudar bastante desde o primeiro protótipo”, explica Bianca.

Na série de mesas Trama, ela também aposta nos metálicos, criando um tampo de marchetaria geométrica de metal, intercalando peças polidas e escovadas, o que ressalta o efeito tridimensional. “A inspiração para esse trabalho surgiu de estudos da geometria e suas diversas possibilidades. Fiz ainda uma versão com tampo de quartzo, para propor um conjunto de mesas que dialogam entre si.”

Colhendo os frutos do trabalho exposto na Paralela, Bianca se prepara para embarcar com sua poltrona Renda para Milão, em abril, a convite de Waldick Jatobá, curador da feira paulistana Made, que fará sua primeira incursão internacional, no Salão do Móvel da cidade italiana – um dos mais importantes eventos do setor. “Meu trabalho é experimentar materiais, me envolver em cada etapa do processo de fabricação de uma ideia. No meu estúdio, me sinto em um laboratório.”