AUDÁCIA COM RESPEITO

- O Estado de S.Paulo

Preocupação com o meio ambiente norteia o projeto de Flávia Ralston

Em um condomínio de Atibaia, a construção de estilo ''''rústico contemporâneo'''', como define a arquiteta Flávia Ralston, ocupa 500 m2 do terreno de 1.400 m2 em acentuado declive. Composta por três blocos interligados, chama a atenção pelos panos de vidro que chegam a três metros de altura, emoldurados por toras de eucalipto. Quem passa na rua consegue ver parte do salão social, no bloco central, com pé-direito de 9 metros de altura. Dentro, o diferencial está na estrutura de sustentação do telhado, cujo sistema construtivo utiliza tesouras invertidas de roliços de eucalipto certificado e autoclavado (na Relicário, um pilar de 4,5 m de altura e 25 cm de diâmetro custa R$ 181,50). Até a porta de entrada, no entanto, muitos detalhes compõem a fachada, que recebeu acabamento texturizado grafiatto (a GPS Revestimentos vende a barrica de 50 kg a R$ 60 na cor branca, a R$ 75 em tons claros e a R$ 90, em tons escuros; a aplicação sai a partir de R$ 11 o m2). O piso de concreto estampado (feito com um molde de silicone) se assemelha a pedras naturais. E o jardim, de formas orgânicas, exibe um espelho d''''água. ''''É um elemento de purificação espiritual, para deixar as energias negativas do lado de fora'''', explica Flávia. A água, por sua vez, vem da captação da chuva, por meio de uma corrente que pende do telhado, sistema que também serve para irrigar o jardim. Sobre o espelho, uma pequena ponte feita de cruzetas - madeiras de antigos postes de luz (na Relicário, R$ 35 a peça, que varia de 1,70 m a 2,40 m) - leva à entrada. Pivotante, a porta desenhada pela arquiteta foi feita com madeira de demolição (na mesma loja, a porta de peroba de demolição pivotante custa R$ 3.500). Dentro, a iluminação natural invade todos os cantos do living: além dos panos de vidro, há sheds (sistemas que permitem a entrada de luz junto aos telhados) em quase todo o entorno. Na verdade, Flávia optou por vidros em todas as áreas onde foi possível substituir a alvenaria. E, para aproveitar as sobras dos roliços de eucalipto utilizados na obra, ela desenhou as escadas com degraus de meia-tora. Outra idéia de aproveitamento foi empregada no revestimento das pilastras de concreto que sustentam a casa, feito com restos de pedra mineira, inseridos um a um, e que aparecem também em parte da fachada e nas lareiras da sala e da suíte do casal. No bloco central, o living de 100 m2 reúne as salas da lareira, de estar e de jantar e um mezanino, que abriga jogos. Para Flávia, o projeto se diferencia do rústico convencional a partir desse living, mobiliado com peças de estilo contemporâneo, como as poltronas com pés de aço cromado. Fora isso, "a decoração é monocromática, deixando em primeiro plano o madeiramento da casa, elemento que lhe confere toda a riqueza", afirma. Nos blocos laterais, estão a cozinha e as dependências de serviço (em um deles) e a ala íntima (em outro). No térreo, ficam os quartos das crianças, servidos por um mesmo banheiro; no andar superior, a suíte da filha e a do casal. A área de lazer, integrada ao living por grandes portas de vidro de correr, tem um deck de 40 m². Nela, a atração é o spa com aquecimento a gás, feito de alvenaria e revestido com pastilhas de vidro acetinado (da Colormix, custa R$ 30,61 o m², na Euroville). É nessa parte do projeto que Flávia pôde atender às prioridades dos donos da casa: ter uma ampla vista da natureza e a sensação de estar em uma casa "flutuante", já que a construção conta com pilares de 9 metros sob o deck.