Antenadíssimo Herchcovitch

- O Estado de S.Paulo

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São 8h15 de uma quinta-feira e Alexandre Herchcovitch já está em seu ateliê no bairro de Campos Elísios. É que ele prepara a coleção de inverno 2010, que tem de ficar pronta logo, logo. Painéis resumem as criações em sua sala. Cioso dos achados, prefere que nada ali seja fotografado – nem visto. Depois da sessão de fotos, numa entrevista de 17 minutos, por causa da agenda complicada, revela como vê a interseção entre moda e design. "Moda é design. Por isso, os criadores de roupas têm capacidade de pensar em outros tipos de produtos", opina. Ele, que já estampou isqueiros descartáveis e até ataduras, também faz cama e banho para a Zêlo e objetos para a Tok&Stok, que deverá lançar em breve um novo sofá com sua grife.

 

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As influências do autor vêm de dentro ou de fora. "Fico antenado em tudo o que acontece, mas também tenho minhas lembranças de adolescência." Sejam quais forem os os produtos para a casa, o importante, para ele, é não perder o DNA da marca, com uma pegada transgressora, contestadora, inusitada. Um bom exemplo são os pratos e saladeiras em que surgem, estampadas, lâminas de barbear. Mas foi a memória afetiva que falou mais alto na coleção recém-lançada pela Micasa. As diferentes paginações de tacos do piso das casas da família – um elemento sempre presente em seu imaginário – agora estão revisitadas em tampos de mesas, banco e tapetes desenhados de fato por ele. Com acabamento impecável, as peças ganharam os nomes das donas daquelas residências: Regina é a mãe do estilista; Golda, a avó paterna; Maria, a avó materna; Sara, uma tia.

 

Parquet também reveste a casa onde ele vive, no Sumaré, com seus cães Paschoal, Berenice e Chanel. Fica pouco ali e, nessas ocasiões, deixa tudo o que se refere a trabalho de lado. Mas o que, afinal, o paulistano Herchcovitch, aos 38 anos, pretende do futuro? "Só sei que não quero só desenhar roupas", responde, de olho em novos desafios.