Ajuste fino

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Arquiteto, o morador deste apartamento de 120 m² soube readequar espaços com mudanças pontuais

O painel de ripas de madeira separa a cozinha do living quando necessário. O carrinho de chá, que serve como bar, é da Desmobilia

O painel de ripas de madeira separa a cozinha do living quando necessário. O carrinho de chá, que serve como bar, é da Desmobilia Foto: Zeca Wittner/Estadão

Lotada de lojas de design e decoração, a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim Paulista, abriga poucos prédios residenciais. Em um deles, baixo, sem portaria nem elevador, mora o arquiteto Fabio Bruschini. O hall de entrada, de pastilhas, denuncia que a construção é antiga, foi erguida em 1940, e desde então passou por poucas reformas. “Hoje mesmo estamos instalando um novo portão, um pouco mais moderno. É um prédio bastante conservado, não precisa de maiores intervenções”, diz o arquiteto.

Quando Bruschini e sua mulher estavam em busca de um novo apartamento, o pequeno prédio onde moram hoje foi o primeiro a ser visitado. Mas seria sorte demais ter encontrado o lugar perfeito assim tão rápido. Partiram para novas visitas, conheceram apartamentos de outros estilos e nada agradou tanto quanto o primeiro. “Visitei o imóvel de novo e tirei absolutamente todas as medidas. Fiz um projeto antes mesmo de fazer uma proposta de compra. Quando terminei o redesenho, vi que cabia tudo de que precisávamos e fechamos negócio”, conta.

O apartamento, de 120 m², estava em boas condições, seria preciso apenas derrubar algumas paredes para reajustar os espaços. A que separava a cozinha da sala caiu, dando lugar a um grande painel de ripas de madeira em diferentes tons, elemento que funcionou como ponto de partida para o resto da decoração, que viria depois. “Misturamos diferentes tipos de madeira, como sucupira, imbuia e tauari, para que a composição ficasse ainda mais interessante. É com certeza o ponto alto do projeto. Usei madeira também no forro da sala de TV – foi um jeito de aquecer o ambiente e demarcar a área, já que ela é aberta para o resto do living”, explica Bruschini.

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Para resguardar a área íntima, o arquiteto optou por desenhar um móvel que serve de porta e estante na área da sala. Os tacos, um pouco desgastados, foram lixados e restaurados, e as instalações elétricas e hidráulicas, refeitas. O arquiteto optou por diminuir a suíte para construir um closet. O banheiro também foi dividido ao meio: virou dois, um para o dormitório principal e outro, no corredor, para o segundo quarto. “Um dos espaços mais gostosos da casa é a varanda que temos na suíte, na altura da copa das árvores do jardim. Colocamos cadeiras e uma mangueira para os dias mais quentes”, comenta. 

A varanda, aliás, pesou na decisão de arrematar o apartamento. “Queríamos algo com ares de casa e esse apartamento tem essa atmosfera acolhedora. Foi realmente um achado. E de primeira.”