À sombra das palmeiras

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Vegetação exuberante imprime ares tropicais e unidade visual à área externa da residência

Projeto de Carmen Mouro em casa na Barra da Tijuca

Projeto de Carmen Mouro em casa na Barra da Tijuca Foto: Denilson Machado/Divulgação

Depois de pronta, essa casa num condomínio da Barra da Tijuca, no Rio, precisava de algo a mais. Totalmente pensada para ser o refúgio de uma família que vive na Europa, seus vários volumes no jardim, como os que abrigam a sauna e o spa, deixavam o ambiente um pouco mais frio do que a família gostaria. Foi por esse motivo que a arquiteta Leila Dionízios, responsável pelo projeto, convidou a arquiteta especialista em exteriores, Carmen Mouro, para criar um jardim que unificasse todas as construções e deixasse a área externa, de 390 m², mais harmoniosa. “Ter uma boa área verde foi a solução para unificar os diferentes ambientes do terreno e também para criar um clima mais acolhedor para a família aproveitar a área externa, e não só o interior da casa”, diz Carmen.

Mas, a ideia de levar mais verde para o projeto trouxe um desafio. Por estar em um solo de terreno arenoso, e que recebe muita incidência de luz solar, o jardim não poderia ser montado com qualquer tipo de planta. “A melhor escolha que poderíamos fazer era ter um jardim de ares tropicais. O que, além de dar a identidade para o projeto, também acarretou um cuidado ainda maior na escolha das plantas”, explica a arquiteta. Sendo assim, escolher quais espécies eram as mais adequadas para este jardim, tornou-se a questão principal do projeto. “Com certeza as protagonistas deste jardim são as palmeiras, que vieram primeiro. De diferentes alturas, e posicionadas em locais estratégicos, elas preencheram o ambiente de maneira delicada”, explica a arquiteta.

Para complementar o paisagismo, e trazer diferentes tons e texturas, foi plantada uma vegetação baixa de clúsias, planta de folhas ornamentais e rígidas, rente ao muro. “São espécies que se adaptam bem ao calor, por reter bastante líquido e ter grande resistência à desidratação”. Em outro ponto, helicônias dão seu toque de cor. “Essa espécie dá flor o ano inteiro, e a manutenção é bastante simples, outro ponto importante para uma família que não usa a casa o ano todo.” 

Outra solução importante no projeto veio com a escolha dos revestimentos, que junto ao verde do paisagismo, aqueceram ainda mais a construção. “Revestimos o muro com ripas de madeira, a mesma usada na área do deck. É como se o desenho do entorno da piscina se estendesse ao muro. Isso traz a sensação de que o espaço é mais harmonioso”, comenta. Para complementar o elemento, painéis de aço cortén vazados, e equipados com sistema de irrigação, acomodam espécies de bromélias que não precisam de terra para sobreviver. “Foi a solução perfeita para dar vida ao painel, já que as plantas precisam apenas de água, não é necessário plantá-las na terra.” O revestimento da piscina, de pedra clara natural também foi escolhido pela arquiteta. “Assim como a madeira, esses revestimentos naturais trazem aconchego e unidade ao ambiente.”

Também parte da área externa, um espaço gourmet, equipado com uma pequena área de estar, também ganhou toque verde, com uma grande parede de samambaias, Em outro ponto de descanso ao ar livre, espreguiçadeiras ganham a sombra de grandes folhas de bananeira, como não poderia faltar num jardim pensado especialmente para ser tropical. 

“O resultado me agradou muito, principalmente porque a família mora na Europa, num lugar onde o frio predomina na maior parte do ano. Para eles, desde sempre habituados a temperaturas quentes, nada mais agradável do que chegar aqui e encontrar esse cenário.”