A iluminação ontem e hoje

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo

Gustavo Di Menno, à frente da Dimlux, aposta na modernização do conceito de iluminação

Por toda a sua vida, o empresário Gustavo Di Menno esteve, de alguma forma, ligado à iluminação. “Hoje ainda funciona em Buenos Aires uma loja que é referência no mercado e era do meu avô. Ela começou comercializando somente material elétrico e depois se transformou em loja de luminárias, passando de geração. No ano passado, ela completou 100 anos”, conta ele, que, ao sair da Argentina para o Brasil, em 1996, já se sentia bastante familiarizado com o assunto. “A minha formação é em administração, mas acabei me especializando mesmo em ‘lighting design’”, afirma Di Menno, hoje no comando da Dimlux, inaugurada no mesmo ano com a proposta de se tornar referencia nacional em iluminação técnica e decorativa. Hoje, o negócio está presente em todos os Estados brasileiros e participa dos principais eventos de design do País. Na High Design 2017, por exemplo, ele apresentou as criações de sua loja ao Casa.

Empresário toca a Dimlux desde 1996, ano em que chegou ao Brasil vindo da Argentina

Empresário toca a Dimlux desde 1996, ano em que chegou ao Brasil vindo da Argentina Foto: Dimlux

Como se dá o processo de concepção das coleções da Dimlux?

Cuido não somente da parte empresarial, mas também, digamos, da curadoria. Comercializamos com exclusividade no Brasil marcas como Vistosi, Weplight, Jieldé, Bomma, LampeGras, Mantis e Marset. O design nacional, por sua vez, é representado pela My Lamp, braço da Dimlux que se dedica à concepção de luminárias, pendentes e abajures dentro de um estilo mais industrial, retrô, despojado e também jovial.

Em que medida os adventos tecnológicos, que se renovam de forma cada vez mais veloz, revolucionaram o desenho das luminárias nas últimas décadas?

Até pouco tempo atrás não se falava do LED. As lâmpadas mais utilizadas eram as eletrônicas devido ao baixo consumo e as halógenas. Hoje, fabricamos 100% dos nossos produtos com o LED. Com o avanço da tecnologia, as luminárias tiveram seu tamanho reduzido e se abriram para uma oferta maior de materiais, texturas e composições. Tudo isso permitiu novidades inesperadas, sobretudo quando os LEDs passaram a ser associados com as tecnologias digitais. Hoje é possível, por exemplo, carregar a bateria da sua luminária por meio de um cabo USB e depois sair com ela passeando por aí.

Enquanto criador, você acredita que existe um movimento de volta aos materiais naturais, como a cerâmica, o papel e a madeira, no desenhos das luminárias?

Sem dúvida. Em especial, em um mercado que vem se tornando cada vez mais consciente das questões relacionadas ao meio ambiente e à sustentabilidade. Estamos desenvolvendo, por exemplo, uma linha com cerâmica, além de dotar nossas coleções com opções de materiais como aço, cobre, latão e cimento. Também trabalhamos com grandes marcas internacionais, referências em iluminação, que têm como base a utilização de materiais naturais – como, por exemplo, a resina de casulo, material com aspecto muito similar ao papel; além de madeiras, principalmente os laminados naturais, que são moldáveis.