A história em xícaras

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Dos excessos do gosto burguês, passando pela fase minimalista e a moda atual, pode-se ler a história da xícara observando seu desenho

Em formato semi-esférico e desprovida de alça, a primeira versão da xícara de chá mais se assemelhava a uma cuia e nasceu no Oriente, onde ainda hoje é um autêntico ritual o simples ato de servir a bebida. Diferente do café, que, em seus primórdios em terras árabes, vinha em pequenos copos, acompanhando as refeições. Dos excessos decorativos de gosto burguês, passando pela fase minimalista e de inspiração nórdica até a moda atual - novamente ornamental -, pode-se ler a história da xícara observando seu desenho. Com diâmetros variáveis - de 5 cm (café) a 10 cm (chá ou café com leite) -, as xícaras têm na argila a matéria-prima básica. Em função do grau de pureza de seus componentes e das condições de queima, são obtidas duas variedades distintas de material: a cerâmica ou a porcelana. A partir delas, as xícaras são moldadas em diferentes formatos, mas, em geral, munidas de alça para proteger os dedos do calor da bebida e facilitar a degustação. A técnica de produção continua a mesma há séculos; porém, nos modelos atuais, a peça ganhou maior autonomia - na forma, de contornos arredondados, e, sobretudo, nos acabamentos, onde o apelo da moda encontra a maior expressão. O design simplificado continua dominando a cena, mas, em sua aparência externa, a xícara abre espaço para o colorido e os motivos decorativos de inspiração pop, dos florais aos psicodélicos.