Livro repassa a obra do arquiteto modernista Carlos Leão

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

O historiador de arte Roberto Conduru comenta sua participação na edição, que teve pesquisa iniciada nos anos 80

Estudo de Leão para a copa da casa de fazenda projetada em 1957, em Valença, Rio de Janeiro

Estudo de Leão para a copa da casa de fazenda projetada em 1957, em Valença, Rio de Janeiro Foto: roberto conduro

Quando ainda estudava arquitetura, o historiador de arte Roberto Conduru participou de um projeto de pesquisa sobre o arquiteto modernista Carlos Leão, sob coordenação do professor Jorge Czajkowski, executando uma série de desenhos com duplo objetivo: ilustrar uma mostra, que aconteceu na sede da Funarte no Rio, em 1985, e servir de base à publicação de uma coletânea da obra de Leão. Em um segundo momento, quando trabalhava no Núcleo de Pesquisa e Documentação da FAU-UFRJ, nos anos 80, Conduru participou do arquivamento do vasto acervo do arquiteto carioca.

Até que, há dois anos, foi convidado pela pesquisadora Claudia Pinheiro para tomar parte na edição idealizada por seu professor, décadas atrás. “Trata-se também de uma homenagem a Jorge Czajkowski. A documentação que ele reuniu foi fundamental para posicionar a arquitetura de Carlos entre as mais relevantes do País”, considera Conduru, que falou ao Casa sobre Carlos Leão - Arquitetura, livro da editora Bazar do Tempo com lançamento previsto em São Paulo para o próximo mês. 

Qual sua participação na edição?

Redigi a apresentação, ajudei a escrever os verbetes que acompanham os projetos e a estruturar a bibliografia e a cronologia. 

Siga o Casa no Instagram e use a hashtag #casaestadao

No panorama da arquitetura modernista o que particulariza a obra de Carlos Leão?

Como outros arquitetos radicados no Rio e atuantes a partir da década de 30, Carlos Leão elegeu Le Corbusier, com quem trabalhou, como referência maior. São numerosas as obras que atestam essa filiação, variando da ênfase ao purismo plástico à exploração construtiva. Contudo, o que singulariza sua obra é a tensão explícita entre a vinculação do arquiteto ao movimento moderno e o gosto conservador de grande parte de sua clientela. Nesse sentido, é interessante observar como, nas muitas residências que projetou, ele se vale de sua formação na Escola Nacional de Belas Artes para apresentar referências ao passado e, ao mesmo tempo, conceber casas atemporais. 

Leão concebia seus projetos de modo orgânico e integral. Em quais trabalhos essa abordagem fica mais evidenciada?

Sim, ele transitava do macro ao micro, pensando o edifício desde sua relação com o entorno até seus interiores, como acontece na sede da Fazenda Vargas, em Valença (RJ), que reformou a partir de 1957, detalhando da fachada aos interiores. E também os bancos, a piscina e o equipamento de filtragem d’água, além da logomarca e de muitos de seus painéis de azulejos.