Cheias de estilo, casas oferecem hospedagem fora do comum e decoração inspiradora

Natália Mazzoni - O Estado de S. Paulo

Em Paraty, Rio, São Paulo e Florianópolis, conheça lugares que têm muito a contar a seus hóspedes

Em Santa Tereza, casa protegida pelo patrimônio histórico recebe hóspedes pelo site de aluguel por temporada Airbnb

Em Santa Tereza, casa protegida pelo patrimônio histórico recebe hóspedes pelo site de aluguel por temporada Airbnb Foto: Divulgação

A 3 km do centro de Paraty, uma casa construída com toras de madeira de demolição abriga muito mais do que belas acomodações. Há 30 anos, a escritora e colunista de gastronomia, que por décadas comandou o Buffet Ginger, Nina Horta e seu marido compraram o imóvel quando ele estava no começo da construção. “Essa casa foi feita para que minha avó pudesse montar sua cozinha dos sonhos, baseada em suas memórias de infância em Minas. Cada objeto da casa tem uma história”, conta Ursula Trancoso, neta de Nina.

Na cozinha do Sítio do Caboclo, como é chamado o lugar, espalham-se compoteiras, gamelas e a coleção de utensílios de Nina. Objetos únicos juntados pela escritora nas andanças pelo interior do Brasil. Na sala, uma pequena cama disposta perto dos sofás é conhecida na família por abrigar quem tomou sol demais e precisa de repouso, mas não quer largar a conversa do estar. Em um dia que considera perfeito, Ursula gosta de tomar café da manhã na cozinha, se refrescar na cachoeira e descansar na companhia de um livro em uma das redes da varanda. 

Disponível no site de aluguel por temporada Airbnb, esse universo tão particular é acessível para qualquer pessoa disposta a pagar seu preço – em torno de R$ 1.000 a diária para até oito pessoas. E ainda pode servir de referência para quem quer aproveitar as férias para buscar inspiração para a decoração da própria casa. “Gosto de compartilhar essa experiência. Além de dividir tudo o que vivo desde a infância, conseguimos mais recursos para manter o sítio e não perder essa história tão rica”, conta Ursula. 

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A ideia de compartilhar experiências ligadas à casa é o que fez também a fotógrafa Anna Kahn abrir suas portas para o site. Localizada em Santa Tereza, bairro antigo do Rio, a construção dos anos 1930 de estilo art déco é protegida pelo patrimônio histórico e passou por três anos de reforma até ficar como é hoje. A obra unificou duas casas geminadas e fez um grande casarão, batizado de Vila Sophia, grande o suficiente para acomodar até oito pessoas por cerca de R$ 1.20o a diária. Dividido em três estúdios com quarto, banheiro, minicozinhas e sala de estar generosamente banhada pelo sol graças aos oito janelões de madeira. 

Na decoração, peças vintage colecionadas pela amiga e arquiteta Bel Lobo, que participou ativamente da obra. “Fiz para ser um ponto de encontro de artistas visuais e interessados em explorar uma perspectiva diferente da cidade e a identidade da casa”, explica. Anna mora no andar de baixo, espaço que também aluga. 

Pensado desde que foi comprado pela arquiteta Mariana Ferreira para receber e hospedar pessoas – não só amigos da família –, o apartamento de 300 m ² na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, tem iluminação farta e uma sala ampla com parte das paredes descascada. Dali é possível ouvir skates se chocando com o chão nas manobras que rolam lá embaixo a qualquer hora do dia. Durante quase toda a noite, os bares do entorno ficam lotados. Na vista da varanda estreita, um mar de prédios, algo que vai bem com a decoração criativa do lugar, aberto para hospedagem de até seis pessoas por cerca de R$ 830 por dia. “Nada aqui tem grande valor financeiro. São coisas que achei em lojas de assuntos diversos e fiz com que ficassem interessantes. Quero que as pessoas descubram esses itens e tenham um pouco da experiência de morar num bairro vivo como esse”, diz a arquiteta.

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Promover uma experiência fora do lugar comum foi também o objetivo do uruguaio Jaime Riccio quando colocou à disposição para turistas sua casa em Florianópolis, cidade onde vive há 30 anos. Construído por ele com material reciclado na Praia Brava, o imóvel é repleto de vidros coloridos, móveis de madeira artesanais e custa por volta de R$ 200 a diária para até sete pessoas. “A casa agrada aos excêntricos e também às pessoas dispostas a abdicar do luxo dos hotéis da ilha para passar alguns dias num outro tipo de ambiente”, diz Riccio.

Viver, pelo menos por alguns dias, no espaço de alguém tão apegado à sua casa, pode ser uma maneira ainda mais interessante de curtir uma viagem e, quem sabe, até mesmo descobrir um novo estilo de vida. “Minha relação com a casa é muito intensa, ela é, para mim, um mundo à parte. Por que não dividi-lo com outras pessoas?”, diz Anna. 

 

Dica de viajante 

Por Adriana Moreira, editora do caderno Viagem

Desculpe, Vinicius de Moraes, mas quando se trata de hospedagem no Airbnb, a beleza até ajuda, mas não é exatamente fundamental. Outros fatores são igualmente importantes para você não se decepcionar com a escolha.

Leia com cuidado a descrição do imóvel e as regras da casa. Se você é um fumante contumaz, não vai gostar de ficar em um lugar onde cigarros sejam proibidos, por exemplo. Tem problemas de mobilidade? Confira se há escadarias. Tenha em mente ainda que não se trata de um hotel, por isso acerte o horário do check-in com seu anfitrião para não ter problemas. 

A localização é fator importante. Pesquise sobre a vizinhança: como é o acesso ao transporte público? Será preciso alugar um carro? Aquele apartamento lindo do outro lado da cidade pode fazer com que qualquer deslocamento leve mais de uma hora. Não esqueça de ler os comentários (e ver as estrelas) dadas por quem já se hospedou no local. Assim você vai saber se as fotos dizem a verdade, se o anfitrião é de fato gentil, se a limpeza estava a contento. Na dúvida, parta para outra.