Sucos de frutas são prejudiciais para a saúde dos bebês

Ananda Portela* - O Estado de S.Paulo

A Academia Americana de Pediatria deixou de recomendar o consumo de sucos antes do primeiro ano de vida

As frutas possuem uma quantidade considerável de açúcar estocada entre suas fibras. Quando elas são espremidas, todo esse açúcar é liberado. Em excesso, ele pode causar graves problemas de saúde

As frutas possuem uma quantidade considerável de açúcar estocada entre suas fibras. Quando elas são espremidas, todo esse açúcar é liberado. Em excesso, ele pode causar graves problemas de saúde Foto: mm91/Pixabay

Fraldas, lencinhos umedecidos, brinquedos, água e suco. Normalmente, estes são os itens essenciais dentro da malinha de um bebê. No entanto, um destes pode começar a ser ignorado pelas famílias. A Academia Americana de Pediatria recomenda que os sucos de frutas sejam dispensados da dieta das crianças com menos de um ano de idade por conta da quantidade excessiva de açúcar.

As frutas possuem uma quantidade considerável de frutose. Este açúcar fica estocado dentro da fruta e protegido pela casca, pela polpa e pelas fibras. Se espremida, a fruta libera todo esse açúcar guardado.

"O excesso de frutose desprotegida aumenta o risco de doenças futuras no coração e no fígado", explica a nutricionista infantil Rachel Francischi.

O risco está também na falta de informação sobre o perigo dos sucos. Muitas vezes, essa quantidade de açúcar é semelhante àquela presente nos refrigerantes. Entretanto, os pais já sabem da seriedade em torno da ingestão deste tipo de bebida e proíbem que as crianças consumam. Mas o mesmo não acontece com o suco.

A contraindicação está também na ausência de nutrientes na bebida. "Ele não é indicado para bebês devido a baixa quantidade de fibras. As frutas in natura têm mais vitaminas e seu consumo deve ser estimulado desde a introdução alimentar aos seis meses de vida", indica Rafaella Calmon, médica, pediatra e cardiologista infantil.

As crianças com menos de um ano de idade estão no processo de formação do paladar, por isso precisam estar em contato com vários tipos de alimentos. "O estômago dessas crianças é muito pequeno, por isso a nutrição tem que ser muito boa. O estômago não pode ser ocupado por calorias vazias, como as do açúcar, por exemplo", comenta Rachel.

Se desde cedo o bebê se acostumar a ingerir alimentos doces, as papilas gustativas ficarão 'viciadas' neste sabor. Quando a criança comer uma laranja, por exemplo, as chances de rejeição serão grandes.

A ingestão de sucos não traz nenhum tipo de benefício indispensável para as crianças. Do ponto de vista da saúde nutricional, o açúcar presente neste tipo de bebida é desnecessário. "O suco de frutas não oferece nenhum benefício nutricional sobre a ingestão de frutas in natura e não tem nenhum papel essencial na saúde de crianças e bebês com uma dieta saudável e balanceada", explica Rafaella.

Os primeiros 1.000 dias de vida, da gestação até os dois anos de idade, correspondem ao período mais importante da vida nutricional de uma pessoa. Por isso, é essencial que a dieta seja baseada na ingestão do leite materno. Nos primeiros seis meses de vida, apenas o leite da mãe deve ser consumido, sem sucos, água ou chás. A partir do sexto mês, a alimentação complementar pode ser inserida na dieta de maneira lenta e gradual. Depois do oitavo mês, as mamadas passam a ser intercaladas e os legumes, verduras e proteínas são definitivamente adotados na dieta. "Os alimentos devem ser separados e macios, mas nunca plenamente homogêneos", atenta Rachel.

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais