Quantas vezes devemos lavar as roupas da casa?

Maria Eduarda Chagas - O Estado de S.Paulo

Médicos recomendam que lençóis e toalhas sejam trocados semanalmente; acúmulo de poeira prejudica principalmente os alérgicos

A periodicidade desses hábitos depende da condição da casa e do cotidiano dos moradores

A periodicidade desses hábitos depende da condição da casa e do cotidiano dos moradores Foto: Laura/ Creative Commons

Se você é daqueles que troca o lençol uma vez por mês, limpa o tapete uma vez a cada década e usa a toalha até não poder mais, está na hora de rever seus hábitos. Médicos e especialistas recomendam hábitos de higiene periódicos para manter a saúde e ficar livre de alergias.

Lençóis devem ser trocados, ao menos, uma vez por semana. O pior problema de manter a mesma roupa de cama por muito tempo é o acúmulo de ácaros, que podem prejudicar principalmente os alérgicos. “Ninguém fica doente porque respira poeira uma vez ou outra, mas, quem não é alérgico, pode desenvolver o problema. Quem já tem alergia, pode sofrer com asma, rinite”, diz José Carlos Perini, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Vale lembrar que o uso de roupa de cama é importante para preservar o colchão e o travesseiro, ainda que, mesmo assim, eles absorvam uma parcela da poeira e de microrganismos do suor.

As toalhas devem ser estendidas em local arejado logo depois do uso e também precisam ser lavadas semanalmente. “É importante que a toalha não fique molhada. Se ela ficar molhada, há proliferação de fungos e bactérias”, afirma Carla Taddei, da Sociedade Brasileira de Microbiologia. Bactérias não sobrevivem mais de dois dias em um ambiente seco, segundo Carla.

Pelo mesmo motivo, panos de prato devem ser estendidos. Como na cozinha há mais chance de contaminação bacteriana, pelo contato com alimentos, especialistas recomendam que eles sejam trocados a cada dois ou três dias, de acordo com o uso.

Tapetes são mais problemáticos, também, para quem é alérgico, já que acumulam pó. “Tapete pode ser batido uma vez por semana para tirar o excesso da poeira e colocado periodicamente a cada três ou seis meses para ser lavado. Carpete já complica um pouco”, diz Perini.

No entanto, a periodicidade desses hábitos depende da condição da casa e do cotidiano dos moradores. “Em Campos do Jordão, onde o ar é mais limpo, será necessário lavar menos esses itens do que no Centro de São Paulo. Se o morador trabalha em uma usina e volta cheio de fuligem, a toalha deve ser trocada com uma frequência maior”, lembra Perini.

Bactérias. Em casa, contrair doenças infecciosas é mais difícil. “A doença infecciosa depende de uma bactéria ou vírus e de um hospedeiro. As pessoas não vão se infectar com qualquer coisa, a não ser que tenham um grau de imunossupressão, ou uma doença grave”, diz Eitan Naaman Berezin, professor de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Global Hygiene Council. No entanto, quando uma pessoa doente entra em contato com objetos, ela pode contaminar outros moradores, segundo o especialista. “Se uma pessoa tosse em um telefone, por exemplo, há maior chance de outra pessoa pegar uma gripe quando utiliza o objeto”, afirma.

Para Perini, é importante que haja uma limpeza diária na casa para retirar o pó, mas esterilizar o ambiente não é necessário. “Hoje se pensa que as casas precisam ser higienizadas contra bactérias, mas isso é um erro. Bactérias vão concorrer umas com as outras, de modo que, se você tiver um ambiente equilibrado, a presença de bactérias não necessariamente é um dano. Nós convivemos com elas”, diz.