Luzes de celular e de computador podem causar danos irreversíveis à visão

João Abel* - O Estado de S. Paulo

Especialistas aconselham uso moderado dos aparelhos e proteção com lentes fotossensíveis

Estudos mostram que brasileiros estão cada vez mais tempo na frente dos celulares e computadores; casos de problemas oculares relacionados a isso também têm crescido

Estudos mostram que brasileiros estão cada vez mais tempo na frente dos celulares e computadores; casos de problemas oculares relacionados a isso também têm crescido Foto: Pixabay/@JESHOOTS

Nos dias de hoje, é praticamente impossível passar o dia sem olhar a tela da televisão, do computador ou do celular. Um estudo realizado pela Millward Brown Brasil e NetQuest em 2016 revelou que o brasileiro gasta mais de três horas por dia de frente para o celular. Entre os jovens, a média é ainda maior: quatro horas. E o uso excessivo desses aparelhos tem aumentado a incidência de problemas de visão.

A luz azul violeta emitida por TVs, celulares, computadores, tablets e também por lâmpadas de LED podem causar danos irreversíveis, segundo a diretora da Sociedade de Oftalmologia Pediátrica da América Latina, Marcia Beatriz Tartarella. “O efeito da radiação por fototoxicidade vai se acumulando nas células da retina, e isso causa a degeneração da mácula, área nobre da visão”, afirma.

Os primeiros sintomas de problemas relacionados a este tipo de luminosidade não se manifestam de imediato. Segundo a especialista, é impossível perceber anomalias a curto prazo, mas qualquer sinal de fadiga visual, sensação de olhos secos, irritação ocular e até coceira, deve ser avaliado clinicamente.

Vice-presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, José Augusto Alves Ottaiano explica que piscamos menos quando estamos em contato com a tela de computadores ou celulares, além de exercermos maior pressão para que a visão esteja focada.

“Nós piscamos em média 15 vezes por minuto. Este é o número necessário para uma boa lubrificação lacrimal. Porém, em situações de estresse, que exigem um foco muito grande do nosso olhar, essa quantidade pode se reduzir a quatro, cinco vezes por minuto. Isso gera uma sobrecarga ocular”, diz o médico.

O especialista ainda dá algumas dicas para minimizar o impacto da luz:

• Para quem trabalha em escritório, por exemplo, o ideal é que o computador esteja sempre no mesmo nível do olhar. Caso esteja acima, a musculatura ocular demora mais tempo para renovar a superfície lacrimal, deixando o olho desidratado.

• Além disso, não se deve prolongar a permanência em frente à tela. Pausas a cada duas horas ajudam a evitar maiores complicações.

• Ar-condicionado também desidrata os olhos e amplia os problemas causados pela luminosidade, especialmente em ambientes menores como o interior do carro.

• É importante lembrar de ajustar as configurações de cada tela para que o brilho se regule de acordo com a luminosidade do local. Ambientes escuros não precisam de um alto brilho no display do celular.

A falta de cuidado prolongado nestes casos pode originar doenças oculares como a catarata e presbiopia, além de problemas nas áreas da córnea, retina, mácula e cristalino, levando à perda de visão gradativa.

Lentes de proteção. A luz azul está também presente em ambientes externos e, por isso, o uso de óculos escuros com proteção para raios ultravioleta é aconselhado.

“Existe radiação da luz azul violeta pelo sol em pequena quantidade, mas isso tem aumentado devido à perda da camada de ozônio protetora pela poluição ambiental”, afirma Tartarella.

Outra possibilidade é o uso de lentes fotossensíveis, que se ajustam de acordo com a luminosidade do local e dos dispositivos com tela. “O mercado hoje já possui tratamentos especiais que proporcionam conforto e proteção em qualquer ambiente”, completa a oftalmologista.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais