Labirintite: tratamento vai muito além do repouso

Juliana Domingos de Lima - O Estado de S.Paulo

A atividade física, ao lado de uma alimentação regrada e saudável, é hoje considerada indispensável para a melhora da condição de quem sofre de distúrbios do labirinto

Ligada a um distúrbio no ouvido interno, a labirintite é uma doença relacionada ao equilíbrio e à audição. As partes do ouvido interno, onde estão localizados os órgãos responsáveis por essas duas funções, atrás da membrana do tímpano, se comunicam com o sistema nervoso central através dos nervos da audição e do nervo vestibular. Doenças infecciosas, inflamatórias, tumorais e mesmo alterações genéticas podem alterar essas estruturas, causando os sintomas de vertigem e tontura que caracterizam a doença.

Apesar de não ter uma faixa etária específica, sua incidência é mais frequente em pessoas acima de 40 anos, em decorrência de alterações metabólicas e vasculares. O aumento dos níveis de colesterol, triglicérides e ácido úrico pode provocar mudanças no interior das artérias que diminuem a quantidade de sangue nas áreas do cérebro e do labirinto. Sua ocorrência é também mais presente em mulheres e a maioria dos casos de desequilíbrio e problemas do labirinto não é cirúrgico.

 

No passado, a recomendação ao paciente acometido de labirintite era o repouso. A orientação médica mudou radicalmente desde então: a atividade física, ao lado de uma alimentação regrada e saudável, é hoje considerada indispensável para a melhora da condição de quem sofre de distúrbios do labirinto.

O único momento em que nenhuma atividade física é aconselhada é durante fase aguda do distúrbio, a crise labiríntica,  na qual o paciente sente uma tontura incapacitante

O único momento em que nenhuma atividade física é aconselhada é durante fase aguda do distúrbio, a crise labiríntica,  na qual o paciente sente uma tontura incapacitante Foto: Enki/Creative Commons

 

“A probabilidade de ter um sintoma desencadeado durante a atividade é maior em pessoas sedentárias”, mas essa reação não é comum, explicou a fonoaudióloga especializada em labirintite Maria Cecilia Greco, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em entrevista ao programa Rota Saudável, da Rádio Estadão. Ao contrário, a atividade física tende a beneficiar o labirinto, o sistema nervoso central e todo o corpo, ajudando muito na recuperação do paciente com labirintite e na manutenção do equilíbrio.

 

Outras formas de tratar a doença e prevenir crises são alimentação adequada, redução do estresse e tratamento, seja com medicação ou por meio da “reabilitação vestibular”,  terapia de exercícios personalizados para reabilitar o paciente. Maria Cecilia previne ainda que os produtos com cafeína, substância excitante labiríntica, devem ser evitados.

 

O único momento em que nenhuma atividade física é aconselhada é durante a crise labiríntica, fase aguda do distúrbio na qual o paciente sente uma tontura incapacitante, mal conseguindo ficar em pé, acompanhada de náuseas e vômito. Na recuperação, alguns movimentos associados ao desencadeamento das tonturas e do desequilíbrio devem ser evitados, mas as atividades devem ser ser retomadas gradualmente, incluindo as atividades físicas. A caminhada, de preferência ao ar livre, é indicada sempre.