Internet pode potencializar a ortorexia nervosa; entenda

Anita Efraim - Especial para O Estado de S. Paulo

Idade mais atingida por distúrbios alimentares é a mesma de quem mais utiliza as redes sociais

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. Foto: Pixabay

A ortorexia nervosa é um comportamento obsessivo e patológico em que o paciente só come 'comida saudável'. Em tempos de internet, com a disseminação de informações nem sempre corretas, jovens, o público principal dos distúrbios alimentares, estão vulneráveis à doença.

Andrea Romero, professora de nutrição e gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que pessoas com o transtorno veem apenas o lado biológico da comida. "Normalmente, começam excluindo gordura, depois excluem os carboidratos. Eles têm um uso excessivo dos alimentos considerados 'politicamente corretos', como verduras", diz. Em alguns casos, chegam a dispensar até mesmo as frutas.

As consequências da patologia podem ir além de cortar alimentos: pessoas deixam de sair com amigos para não comerem nada 'errado' e também não querem proximidade com quem coma de forma diferente, o que leva a um isolamento social. Além disso, depressão e comportamentos obsessivos podem ser consequências.

Na opinião da nutricionista, a principal causa do distúrbio é a cultura de valorização da magreza. A internet também é um problema para os jovens, aqueles que são mais atingidos pelos transtornos. "A idade de influência para desenvolver transtornos alimentares coincide com a idade que mais usa a internet", explica.

Roberta Pacheco, do blog fitness Frango com Batata Doce, afirma que eles tomam muito cuidado com o conteúdo que transmitem aos seus seguidores. Para ela e para Rodrigo, namorado e companheiro no blog, nem faz sentido a ideia de jamais comer fora da dieta.

"Uma coisa que a gente nunca faz, porque é zero nosso perfil, é fazer alguns'terrorismos'", exemplifica. "Não falamos 'ontem comi muito, então hoje tenho de treinar muito para queimar tudo.'"

No entanto, a blogueira observa que no meio das 'musas fitness' muitas pessoas incentivam esse comportamento, mesmo sem querer. "Vejo o tempo inteiro [pessoas fazendo isso]. Acho que às vezes as pessoas não falam nem por mal, querendo incentivar que as pessoas fiquem neuróticas", opina. "Mas na cabeça delas é tão natural que a pessoa acaba passando isso sem nem perceber que ela pode estar incentivando esse tipo de comportamento para outras pessoas."

Andrea reforça que é importante pensar que o alimento tem várias dimensões, como a cultural, emocional, afetiva. "Desprezar e só focar em um lado é sempre patológico", diz.