Incidência de câncer de esôfago tem ligação com estilo de vida e hábitos regionais

Redação - O Estado de S.Paulo

Doença é o sexto tumor maligno mais comum na população masculina do País

A maior prevalência da doença no país é no Rio Grande do Sul, onde são registrados 20,1 casos para quase 100 mil habitantes

A maior prevalência da doença no país é no Rio Grande do Sul, onde são registrados 20,1 casos para quase 100 mil habitantes Foto: Pixabay

Com cerca de 11 mil novos casos estimados para 2017, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de esôfago é o sexto tumor maligno mais comum na população masculina brasileira. A maior prevalência da doença no país é no Rio Grande do Sul, onde são registrados 20,1 casos para quase 100 mil habitantes. Como comparativo, em São Paulo o câncer de esôfago registra 7,8 casos para cada 100 mil.

A alta prevalência de tumores esofágicos entre os gaúchos também é vista no Uruguai e Argentina, onde há grande consumo de bebidas em altas temperaturas como o mate (chimarrão). Em âmbito mundial, o câncer de esôfago é o sexto mais comum entre os homens e o décimo mais comum quando considerado ambos os sexos, com cerca de 450 mil novos casos anuais, segundo o Globocan 2012, levantamento do IARC, órgão de pesquisas sobre câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além do alto consumo de bebidas quentes, os demais fatores de risco associados com a ocorrência de câncer de esôfago são alcoolismo, tabagismo, infecção pelo vírus HPV, acalasia (transtorno que atrapalha a passagem do alimento do esôfago para o estômago) e consumo excessivo de alimentos defumados ou em conserva.

De acordo com o cirurgião oncologista e diretor do Departamento de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo Cancer Center, Felipe José Fernàndes Coimbra, outros fatores de risco importantes são o refluxo, obesidade e esôfago de Barrett (doença que acomete as células do revestimento inferior do esôfago). Além disso, explica o especialista, a ocorrência de história pessoal ou familiar de câncer de boca ou pulmão também coloca o paciente em um grupo de risco para o desenvolvimento de tumor no esôfago.

Em relação à ligação entre refluxo e desenvolvimento de tumores no esôfago, Felipe Coimbra comenta que, quando o ácido proveniente do estômago entra em contato com o esôfago, pode haver alterações em seu revestimento, causando doenças como a esofagite, que pode aumentar o risco para o desenvolvimento de tumores. Porém, ele destaca que nem todo tipo de refluxo gastroesofágico é fator de risco e nem todas as pessoas com refluxo vão desenvolver o câncer. “Quando há sintomas de refluxo, é fundamental haver acompanhamento médico. Poderá ser solicitada uma endoscopia para avaliar pacientes com refluxo e possíveis complicações”, ressalta.

Levantamento do A.C.Camargo junto a 120 pacientes com câncer de esôfago mostra que 40% sofriam de refluxo, doença que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros, no momento do diagnóstico. Comum em pessoas com mais de 50 anos, o refluxo é causado pelo retorno do conteúdo do estômago ou do duodeno ao esôfago.

“A sensação dos pacientes nesses casos é de azia e queimação no peito ou garganta. Isso porque, com o contato constante das enzimas digestivas com a parede do esôfago, o órgão passa a apresentar lesões e tecido parecido com o do intestino. As células danificadas por esse processo sofrem mutações e podem se tornar cancerígenas”, explica Felipe Coimbra.

O tratamento é feito com dietas e mudança de hábitos alimentares. Deve-se evitar a ingestão de café, chá, refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos com muito molho, principalmente o de tomate, que tendem a piorar os sintomas. É recomendado também que as pessoas não deitem logo após a refeição e mantenham o peso adequado.

* Consultoria: A.C. Camargo Cancer Center