Hiperêmese gravídica: entenda a condição que afeta Kate Middleton

Ludimila honorato - O Estado de S.Paulo

Casos leves e moderados podem ser tratados em casa, mas os graves, muitas vezes, têm necessidade de internação

A duquesa Kate Middleton, o príncipe William e os filhos, Charlotte e George. 

A duquesa Kate Middleton, o príncipe William e os filhos, Charlotte e George.  Foto: Andew Matthews/Reuters

Grávida pela terceira vez, Kate Middleton sofre de hiperêmese gravídica, condição que também a afetou nas gestações de George, de 4 anos, e Charlotte, de 2 anos. O quadro é caracterizado por náuseas e vômitos constantes, independente de a mulher ter se alimentado ou não.

"Na maioria dos casos, esses episódios de vômitos podem ser tratados em casa com hidratação e medicação via oral, que controla o estímulo do vômito no cérebro. Ela pode ficar nauseada, mas não vomita", explica a ginecologista e obstetra Maria Elisa Noriler.

A médica ressalta que somente os casos leves e moderados podem ser tratados dessa maneira. Para os quadros graves, que representam menos de 1% das gestantes segundo Maria Elisa, a internação pode ser recomendada.

Nesses casos, além dos episódios de vômito, a mulher tem a pressão alterada, sensação de desmaio e mal-estar ao ficar em pé. "Muitas vezes, haverá necessidade de internação, vai manter em jejum por 48 horas e repor [o que perdeu pelo vômito] pela veia", disse a ginecologista. Também é preciso investigar outras causas, como problemas com a vesícula e gastrite.

Causas. A hiperêmese gravídica pode ocorrer por diversos fatores. Três deles são comprovados e amplamente aceitos pela classe médica, segundo a especialista. O primeiro deles é a elevação do beta HCG, hormônio produzido no início da gestação que, em altas quantidades, estimula o vômito.

O normal é que a gestante sinta enjoos e até vomite nas primeiras oito ou dez semanas, quando ocorre o pico de elevação do hormônio. Depois disso, se os sintomas persistirem, ela deve consultar o médico.

Outro fator é que o organismo da mulher pode entender o feto como um corpo estranho e, ao tentar combatê-lo, vai estimular as náuseas. Por fim, existem as causas psicogênicas, que são fatores estressantes e problemas que a mulher enfrenta.

"O centro do vômito no cérebro é estimulado por fatores estressantes, e a elevação do beta HCG é mais forte, mas melhora depois de 12 semanas", explica Maria Elisa, que acrescenta que as causas psicogênicas afetam se o período de elevação do HCG passou (primeiro trimestre) e a mulher já está com 28 ou 30 semanas [de gestação], mas ainda sente enjoo.

Como as consequências variam de uma mulher para outra - vomitar oito vezes por dia pode levar à desidratação e uma, mas não em outra -, a ginecologista aconselha procurar um médico caso surjam sinais de tontura e se a mulher tem sede, toma água e vomita.

Incidência. A duquesa de Cambridge sofre de hiperêmese gravídica pela terceira vez. A ginecologista diz que mulheres que passaram por isso na primeira gestação têm risco aumentado nas próximas. As causas psicogênicas poderiam influenciar no quadro da princesa.

"As pessoas mais expostas ao público são mais sujeitas a sofrer autocrítica, têm de cuidar para não errar em nada. Isso é uma coisa que tem de tomar muito cuidado", alerta a ginecologista Maria Elisa.

Recomendações. A especialista recomenda que a mulher não tente forçar para se alimentar. "No primeiro trimestre da gestação, a mulher pode perder até 10% do peso. Tem de comer o que quer e, de preferência, coisas geladas, como frutas e iogurtes, pois o gelo alivia o sintoma de náusea ao paralisar a parede do estômago", diz.

Alimentos azedos, como limão e vinagre também são indicados, e a especialista afirma que eles não ativam as papilas gustativas do vômito. Doces e molhos estão fora da lista, pois podem piorar o quadro.

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