Existe ligação entre o desempenho do nosso time e a alimentação?

- O Estado de S.Paulo

Quanto mais ligados emocionalmente estamos a um time, mais sua vitória ou derrota influencia nosso humor e nossas escolhas alimentares, revela psiquiatra

 O sucesso ou fracasso do nosso time está diretamente ligado ao tipo de alimento que ingerimos, aponta o psiquiatra Daniel de Barros. "Nosso comportamento é influenciado por coisas que nem imaginamos e isso se reflete no nosso comportamento alimentar, nos nossos hábitos mais ou menos saudáveis", revela.

Em entrevista ao programa Rota Saudável, da Rádio Estadão, o psiquiatra conta que essa relação é tão forte que nos Estados Unidos pesquisadores decidiram estudar a influência do humor no comportamento."Estudiosos foram acompanhar como os torcedores reagiam segundo os resultados dos jogos da liga nacional de futebol americano (NFL na sigla em inglês). Eles correlacionaram as vendas de alimentos de uma rede  de varejo nos dias seguintes aos jogos da NFL e perceberam que houve maior compra de comida com gordura saturada e carboidratos nas cidades em que os times perdiam. Já nas cidades em que os times ganhavam as pessoas optavam mais por comidas saudáveis. E esse comportamento era mais intenso nos locais onde os times eram mais tradicionais", explica.

Ou seja, quanto mais ligados emocionalmente estamos a um time, mais sua vitória ou derrota influencia nosso humor e nossas escolhas alimentares. "Na copa, que já não comemos bem, ficamos petiscando, se o time vai mal essa relação pode ser ainda pior", alerta o especialista.

Isso ocorre porque usamos a comida para ter um meio de satisfação, para compensar a frustração, para substituir. "Sobretudo com as comidas mais fáceis, industrializadas, chocolate, gordura, que são fontes de prazer imediato e compensam o desprazer da perda pelo prazer da comida", afirma.

Daniel de Barros alerta ainda que há também o aspecto do nosso humor. "A força de vontade precisa de energia. O indivíduo tem de estar bem, estar firme. Quando estamos mais chateados, invariavelmente, nossa força de vontade é menor. Ficamos com mais fraqueza, além de não conseguirmos enxergar no longo prazo", diz.

Por outro lado, quando estamos de bom humor, animados, pensamos no futuro e conseguimos fazer escolhas mais saudáveis. Em nome do futuro pagamos o preço do presente. "Quando estamos mais desanimados, tristes, deprimidos, perdemos essa capacidade de olhar para frente e fazemos escolhas mais imediatas e aí caímos mesmo na gordura, no chocolate, no salgadinho", conclui.