Enjoados para comer? Veja como fazer seus filhos escolherem comidas mais saudáveis

Natalie Parletta - O Estado de S.Paulo

Dietas pouco saudáveis contribuem para uma saúde mental fraca e um QI mais baixo em crianças

Hipócrates disse, por volta de 400 a. C , que "a comida deve ser nosso remédio e o remédio deve ser nossa comida". Ele provavelmente se reviraria no túmulo se visse a quantidade de comidas e bebidas altamente processadas e açucaradas vendidas para crianças hoje em dia. Essa comida pode ser tão viciante como cocaína ou heroína. E é difícil para os país enfrentarem seu apelo.

Foto: Aikawa Ke/Creative Commons

Uma em cada três crianças e 66% dos adultos nos Estados Unidos estão com sobrepeso ou são obesos. Isto está contribuindo para níveis sem precedente de doenças relacionadas à obesidade como diabetes, doenças cardíacas e insuficiência hepática e renal. Dietas pouco saudáveis também contribuem para uma saúde mental fraca e um QI mais baixo em crianças.

Como ocorre com nosso corpo, nosso cérebro também precisa de nutrientes essenciais e um ambiente saudável sem inflamação, oxidação e excesso de glicose para funcionar de maneira apropriada. Uma dieta saudável em qualquer idade é forte em alimentos vegetais como frutas, legumes, nozes, sementes e grãos integrais além de peixe e óleos saudáveis. E fraca em comidas processadas, com muita gordura, muito açúcar, e carne vermelha. Os pais têm uma influência muito importante na saúde e nas escolhas alimentares de seus filhos. Para começar, a amamentação por 12 meses pode causar impacto em suas preferências de gosto ao expô-los a sabores multidimensionais - e eles podem desenvolver preferências de gosto por comidas que suas mães comem também (saudáveis ou não).

Os filhos aprenderão a gostar de comidas saudáveis, como legumes, se forem regularmente expostos a eles desde tenra idade. Quando puder, cozinhe você mesma as comidas do bebê com ingredientes frescos, e evite adicionar açúcares e sal. As preferências de gosto das crianças são estabelecidas nos primeiros tempos de vida. É melhor se ater ao simples - introduzir novas frutas e verduras uma de cada vez para que eles possam aprender a apreciar os sabores individuais.

As criancinhas tendem naturalmente a desenvolver neofobia, o medo de comidas desconhecidas, por volta dos dois anos de idade. Portanto, a exposição contínua a comidas saudáveis, em vez de ceder às impertinências, ajudará a mitigar isso, e sua disposição de experimentar comidas novas aumentará naturalmente com o tempo. Pesquisas mostram que pode levar 10 a 14 exposições a um legume previamente rejeitado para crianças o apreciarem e decidirem comê-lo. Por isso, não desista. É importante que esta exposição seja neutra, sem qualquer pressão, recompensa ou suborno. Faça disso uma ocasião familiar positiva sem distrações como a TV, outras mídias e brinquedos.

Pesquisas mostraram que mesmo expor crianças a legumes em livros de história desde tenra idade pode fortalecer ainda mais a probabilidade de que elas comerão legumes. Mais importante, torne a coisa divertida e deixe as crianças brincarem com sua comida para explorar todas as cores, sabores e texturas.

O modelo "pais provêm, filhos decidem" pode facilitar um pouco este processo. Este ocorre quando os pais fornecem opções saudáveis dentro de limites firmes e permitem que a criança decida o que e quanto comer. Mantenha as opções pouco saudáveis fora da casa. Forçar crianças a comer legumes não funciona - você pode vencer a batalha, mas perderá a guerra. Evite associações negativas com comida saudável, já que elas podem afastar as crianças. Usar subornos e recompensas também não funciona pois as crianças aprenderão a preferir a recompensa e não a desfrutar da comida saudável por seu próprio gosto intrínseco. As crianças também a copiarão. Se você quer filhos saudáveis, precisa dar o bom exemplo e comer bem também.

Encorajar crianças mais velhas

À medida que as crianças vão ficando mais velhas, outras crianças, as festas e a escola podem influenciar seu comportamento alimentar. Mas o ambiente alimentar familiar ainda joga um papel importante para influenciar na alimentação saudável - em particular, o comportamento da mãe e a comida que está disponível na casa. Os pais também podem envolver as crianças em compras, culinária e cultivo de horta. Projetos escolares mostraram que se as crianças são envolvidas no cultivo, colheita e cozimento de legumes, elas ficam mais propensas a comê-los.

Crianças de todas as idades cujas famílias comem juntas em casa - sem distrações, como a televisão - mostraram ter dietas mais saudáveis. Portanto, faça de comer junto uma prioridade. E não se desespere se você ou seu filho está com dificuldade. A boa nova é que vícios alimentares e preferências de gosto podem ser mudados. Há infinitas receitas saborosas e saudáveis que são simples e baratas de fazer.

Em suma, crie um ambiente de alimentação caloroso, positivo e saudável, sem distrações quando estiver comendo, e dê um bom exemplo. Os filhos aprenderão a gostar de boa comida se ela for para ser desfrutada, e florescerão no processo.

Tradução de Celso Paciornik