Conheça os tratamentos de beleza que podem ser feitos durante a gravidez

Ananda Portela* - O Estado de S.Paulo

Especialistas atentam para o perigo dos procedimentos que usam substâncias químicas

Os estudos à respeito dos efeitos de certos procedimentos na gravidez são restritos, pois os testes são limitados. Por isso, o melhor a se fazer é evitar alguns tratamentos que envolvem produtos químicos

Os estudos à respeito dos efeitos de certos procedimentos na gravidez são restritos, pois os testes são limitados. Por isso, o melhor a se fazer é evitar alguns tratamentos que envolvem produtos químicos Foto: TawnyNina/Pixabay

A gravidez é um dos períodos de maior transformação no corpo das mulheres. Por isso, muitas delas não deixam a vaidade de lado e apostam em tratamentos de beleza durante a gestação. Mas é importante ter cuidado, já que alguns procedimentos são extremamente contraindicados neste período.

O diagnóstico dos efeitos destes procedimentos é restrito. "A segurança no uso da maioria das substâncias químicas, presentes nos cosméticos, em gestantes não foi devidamente avaliada, pois as mulheres grávidas não são incluídas nos testes", explica Heloisa Romanholi, dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A limpeza de pele está liberada. Mas o mesmo não acontece com o peeling, um procedimento muito perigoso para as gestantes por conta do ácido retinoico e seus derivados, componentes que podem prejudicar o bebê. "Essas substâncias podem estar contidas em alguns peeling químicos feitos no consultório, portanto, é sempre bom informar o médico de uma possível gravidez", indica Marcia Linhares, dermatologista das atrizes Sheron Menezes e Mel Fronckowiack. 

Além do peeling, os tratamentos com radiofrequência, tecnologia usada para combater a flacidez da pele, devem ser evitados por conta das ondas eletromagnéticas que podem interferir na gestação. Proibições à parte, sessões de drenagem linfática, que reduzem possíveis inchaços, limpeza de pele e máscaras faciais são permitidas, desde que acompanhadas pela dermatologista e também pelo ginecologista ou obstetra.

A coloração dos cabelos pode prejudicar o bebê. As tintas que apresentam amônia em sua composição são muito perigosas, uma vez que a penetração é muito profunda e pode atingir o córtex. Se a coloração não tiver amônia, ela é liberada, desde que acompanhada por um especalista

A coloração dos cabelos pode prejudicar o bebê. As tintas que apresentam amônia em sua composição são muito perigosas, uma vez que a penetração é muito profunda e pode atingir o córtex. Se a coloração não tiver amônia, ela é liberada, desde que acompanhada por um especalista Foto: artusfoto/Pixabay

Quanto aos cuidados com o cabelo, a atenção deve ser redobrada. Os produtos químicos utilizados no alisamento dos fios são muito perigosos, pois podem penetrar na corrente sanguínea por meio do couro cabeludo, e atingir o bebê. "Qualquer tratamento que alise à base de formol é proibido e os alisamentos sem essa substância também devem ser evitados. Alguns tratamentos dizem que não há formol na composição, mas é muito difícil comprovar", alerta Marcia.

Assim como o alisamento, a coloração dos cabelos pode prejudicar o bebê. As tintas que apresentam amônia em sua composição são muito perigosas, uma vez que a penetração é muito profunda e pode atingir o córtex. Se a coloração não tiver amônia, ela é liberada, desde que acompanhada por um especalista.

Ana Approbato, estudante de direito e mãe da Isabella de 4 anos, revelou que não fez nenhum tratamento durante a gravidez, mas que gostaria de ter feito. "Queria fazer progressiva e luzes, mas tinha medo de afetar o bebê. Os estudos quanto aos efeitos de alguns produtos na gravidez são relativamente restritos, pois os testes são limitados. Dessa forma, os riscos são de difícil especificação. "Eu nunca soube dos riscos exatos, mas sempre me recomendavam não fazer nada", completa Ana.

O tratamento das estrias, varizes e celulites é menos nocivo ao corpo da mulher e à saúde do bebê, dependendo do procedimento escolhido. "As estrias são muito comuns na primeira gravidez porque, nesses casos, a pele ainda não tem uma flacidez natural, e as fibras mais jovens podem romper com facilidade, a partir do ganho de peso", explica Marcia. A recomendação sempre é ingestão aliada ao uso de cremes ricos em óleos importantes para a hidratação. "Existem bons resultados para o tratamento de estrias: o uso de laser, peeling de ácido retinoico e microagulhamento, mas só devem ser iniciados após a gestação. Por isso, sempre reforço para minhas pacientes curtirem as transformações corporais que ocorrem na gravidez. É um momento único, que depois se for o caso, iniciamos os tratamentos necessários com total segurança", indica Heloísa.

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais