Com o objetivo de salvar vidas, aplicativo conecta doadores de sangue a hemocentros

Marcel Hartmann - O Estado de S.Paulo

Hemotify emite notificação quando banco de sangue precisa de doação do mesmo tipo sanguíneo do usuário

Da esquerda para direita, Fernando Henrique, Ricardo Morcelli e Gabriel Branco, todos jovens de 21 anos e estudantes de engenharia em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul

Da esquerda para direita, Fernando Henrique, Ricardo Morcelli e Gabriel Branco, todos jovens de 21 anos e estudantes de engenharia em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul Foto: Gabriel Branco/Hemotify

Eles não queriam ouvir novas músicas. O que três jovens universitários de 21 anos desejavam, ao criar o 'Hemotify', era salvar vidas. Lançado em outubro de 2016, o aplicativo avisa quando bancos de sangue precisam da doação do mesmo tipo sanguíneo do usuário do aplicativo. Em fase inicial e operando em 11 hemocentros de 10 cidades, o app está em campanha de financiamento coletivo para cobrir os gastos iniciais e começar a expansão. 

"O Hemotify conecta doadores de sangue aos hemocentros, que têm um banco de dados com o cadastro de doadores. Quando o estoque estiver baixo, uma notificação é enviada e a pessoa recebe no celular", explica Gabriel Branco, de 21 anos, estudante de engenharia acústica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, e cofundador do aplicativo. Hoje, o alerta aparece no Facebook, mas os planos são para que os avisos também cheguem por WhatsApp, Telegram, e-mail e como mensagem privada no Facebook.

Para o futuro, a ideia é que o doador também seja ativo e consiga, em caso de necessidade, solicitar uma doação de sangue para ele ou pessoa próxima - assim, o hemocentro envia uma notificação que chega à rede de amigos do usuário, uma forma de mobilização mais eficaz.

A ideia do aplicativo veio porque um dos sócios, Fernando Berwanger, tem fenótipo Bombaim, uma condição raríssima na qual o indivíduo só pode receber doação de sangue de quem tiver a mesma alteração genética. A partir daí, Gabriel e o terceiro sócio, Ricardo Morcelli, ficaram motivados a empreender em tecnologia da saúde.

"Se algum dia o Fernando precisasse de doação, como ele encontraria uma pessoa? Ao mesmo tempo, pensamos que hemocentros sempre estão com baixo estoque de sangue. Unimos as duas ideias: o usuário acha seu tipo sanguíneo e o hemocentro tem acesso a todos os doadores", diz o rapaz.

O nome do app veio de uma mistura entre o radical 'hemo', ligado a sangue, e do Spotify, que remete à tecnologia. O cadastro no Hemotify é gratuito para doadores e hemocentros - a monetização viria de patrocínios e anúncios publicitários. Até agora, são mais de 1.600 usuários.

Como ainda está em fase inicial, os três jovens precisaram arcar com todos os custos da empresa. Para cobrir os gastos e expandir a plataforma, eles criaram uma vaquinha virtual com o objetivo de arrecadar R$ 42.500. Até agora, faltando 11 dias, eles arrecadaram R$ 1.470. 

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