Colesterol alto: dieta não é a única causa do problema

- O Estado de S.Paulo

Fatores genéticos, problemas endocrinológicos, hepáticos, renais e consumo de alguns medicamentos podem influenciar a quantidade dos níveis de colesterol

Em média, apenas 20% do colesterol (ruim, ou LDL) no corpo é derivado da alimentação

Em média, apenas 20% do colesterol (ruim, ou LDL) no corpo é derivado da alimentação Foto: Michael Sharman/ Creative Commons

No próximo sábado, dia 8, será celebrado o Dia Nacional de Controle do Colesterol. O tema é importante, já que mais de 57 milhões de brasileiros possuem alguma doença crônica, entre elas o colesterol alto, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde divulgada recentemente pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considerado o mais importante fator de risco para as doenças cardiovasculares, como enfarte e acidente vascular cerebral, índices altos de colesterol devem ser acompanhados e tratados por um especialista.

A alimentação, porém, não é o único fator desencadeante das alterações do LDL, ou o colesterol ruim, segundo o Marcelo Paiva, cardiologista e coordenador do Centro de Cardiologia do Hospital 9 de Julho. “Deve-se levar em consideração fatores hereditários, além de possíveis problemas endocrinológicos (como alterações na glândula tireoide), hepáticos e renais, porque nem sempre a alimentação é a responsável. Além disso, o uso de alguns medicamentos impacta nos níveis do colesterol”, afirma.

Para o médico, a alimentação deve ser avaliada, mas complementa: “vale ressaltar que, em média, apenas 20% do colesterol (ruim, ou LDL) no corpo é derivado da alimentação. O metabolismo também influencia muito. Um bom exemplo são aquelas pessoas que comem muito, estão acima do peso, mas com boas taxas de colesterol, enquanto outras mais magras, que se alimentam mais restritamente, têm taxas elevadas”, destaca.

HDL x LDL. Normalmente, as pessoas conhecem o colesterol como “bom” e “ruim” ou, respectivamente, HDL e LDL. Mas os dois têm funções importantes para o organismo. “Para haver harmonia entre as taxas, ou seja, níveis altos de HDL e baixos de LDL, é preciso manter uma dieta saudável, rica em gorduras insaturadas (encontradas nas nozes, óleos vegetais e abacate), com baixo consumo de gordura saturada (encontrada principalmente em alimentos de origem animal) e manter a prática de atividades físicas”, esclarece Paiva.

Quando os níveis de colesterol LDL ficam muito altos, é preciso um acompanhamento médico para identificação do problema: se está relacionado a hábitos de vida ou a outras disfunções como as endocrinológicas ou renais.

Medicamentos são indicados quando o indivíduo apresenta doença aterosclerótica (acúmulo de placas de gordura nas artérias) evidente ou taxas significativamente altas do colesterol total. “Quando estão levemente alteradas, o especialista faz uma análise do risco cardiovascular da pessoa, levando em consideração outros fatores de risco - como fumo, diabetes, hipertensão e histórico de problemas cardíacos na família -, para determinar se a medicação é realmente necessária”, lembra o cardiologista.

Vale aproveitar a data de conscientização para deixarmos o alerta: visite periodicamente o seu médico e faça um check-up anual. Assim, é possível identificar desequilíbrios antes que tenham grande repercussão no corpo, com uma doença crônica.

Consultoria Hospital 9 de Julho