Cinco dicas para pôr o consumo consciente em prática

Felipe Saturnino* - O Estado de S.Paulo

Especialistas indicam maneiras de melhorar a alimentação na hora de escolher produtos

Índices de consumo consciente ainda são baixos, mas consumidor "está no caminho certo", segundo presidente do Sebrae.

Índices de consumo consciente ainda são baixos, mas consumidor "está no caminho certo", segundo presidente do Sebrae. Foto: Couleur/Pixabay

Após a Operação Carne Fraca, é possível que a atenção à procedência e à qualidade de alimentos ganhe peso na hora do brasileiro escolher o que consome. No entanto, embora Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae, acredite que “estamos no caminho certo”, a última pesquisa sobre o tema realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em julho passado, apontou que apenas 30% consumidores brasileiros compravam sabendo o que estavam fazendo.

“Eu diria, na verdade, que esse número é ainda menor”, afirma Luís Arsênio, cofundador do Clube Greens, plataforma que propõe descontos em produtos orgânicos a seus usuários. O clube é uma startup dedicada a tornar seus clientes, cadastrados gratuitamente em seu site, conscientes dos alimentos que consomem. No momento, a empresa possui mil deles. “Até o fim do ano, esperamos ter entre 40 e 50 mil”, diz.

Além disso, a empresa já fechou 100 parcerias com produtoras de orgânicos, um mercado em alta no Brasil. Segundo o Sebrae, o segmento cresce em média 25% ao ano e movimenta cerca de R$ 3 bilhões, graças, principalmente, ao aumento da demanda e a maior organização do setor. “É um setor abrangente que foca, sobretudo, no mercado nacional”, sustenta a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

De fato, a tendência do consumidor, em todo mundo, é de cada vez mais buscar produtos saudáveis, mais seguros e que aumentem a qualidade de vida. “E isso não é diferente no Brasil", diz Ming Liu, coordenador executivo da Organics Brasil. "O consumidor tornou os orgânicos um mercado de massa, pela preocupação com o bem-estar próprio e social”, afirma.

Tendo em vista a melhora nos hábitos de alimentação e esclarecimento na hora de fazer compras, alguns especialistas recomendam 5 atitudes que visam pôr em ação o consumo consciente. Confira:

Saiba de onde vem o que você come. “Temos parceiros no Clube Greens que conhecem pessoalmente todos os seus produtores e fornecedores”, conta Arsênio. Segundo ele, esse relacionamento permite que o consumidor tenha mais certeza da origem do produto, o que, somado ao Selo Orgânico Brasil, garante a sua procedência.

Quando puder, evite congelados. Produtos frescos ou resfriados são sempre opções melhores, já que, neste caso, é mais fácil detectar algum tipo de mudança na qualidade daquilo que está sendo levado para casa, destaca Edgar Augusto, responsável pelo setor de compras e estoque do restaurante orgânico e funcional Le Manjue.

Cheque mudanças na coloração e no odor. É mais difícil notar variações em produtos congelados, apesar de sua validade ser maior. Tomás Abrahão, à frente da Raizs, loja especializada em orgânicos, ressalta que cada produto tem uma temperatura ideal de armazenamento, e isso pode facilmente ser conferido na própria embalagem do alimento.

Fique atento a certificações e selos. Abrahão recomenda também que o consumidor olhe o rótulo do produto, pois essa é uma garantia de que o alimento passou por avaliações criteriosas quanto a sua qualidade. No caso da Raizs, que trabalha apenas com orgânicos, a boa procedência é assegurada pelo Selo Orgânico Brasil e pelo IBD Orgânico.

Compare preços. Outro cuidado necessário na hora da compra é ao analisar preços em estabelecimentos diferentes. “Variações muito grandes de preço exigem maior pesquisa do consumidor e inspiram alguma desconfiança quanto à qualidade do que está exposto em qualquer prateleira de supermercado”, destaca Arsênio. “O bom e barato é normalmente mau sinal.”

 

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais