Betacaroteno pode ser herói e vilão quando o assunto é câncer de pulmão

Redação - O Estado de S.Paulo

Antioxidante encontrado em alimentos como cenoura, beterraba e mamão, também é obtido pela suplementação por cápsulas

A cenoura é um alimento conhecido por seu betacaroteno

A cenoura é um alimento conhecido por seu betacaroteno Foto: jackmac34 / Pixabay

Benéfico ao organismo por ser um pigmento antioxidante e um dos meios para obtenção de vitamina A, o betacaroteno, quando obtido por meio de uma dieta equilibrada que inclui o consumo na forma in natura de cenoura, beterraba, mamão e outros alimentos amarelo/alaranjados, auxilia na prevenção do câncer de pulmão. Por outro lado, a suplementação de betacaroteno por meio de cápsulas é um fator de risco para o desenvolvimento da doença. As observações são de dois amplos estudos de revisão publicados nas revistas científicas Cancer Epidemiology e Critical Reviews in Oncololy/Hematology.

Segundo os estudos, a presença de betacaroteno na dieta está inserida na classe de alimentos funcionais, que, além das funções nutricionais básicas, têm o potencial de evitar e reparar danos aos radicais livres que alteram o DNA das células que podem levar ao câncer. Já a ingestão de altas doses por meio de suplementos está diretamente associada ao aumento do risco para desenvolvimento de câncer de pulmão. 

De acordo com os autores da quarta edição do Código Europeu sobre dieta e câncer, publicado no Cancer Epidemiology, a suplementação de betacaroteno – mais evidentemente em fumantes - leva ao efeito oxidativo e impedimento do reparo do DNA, principalmente quando as células interagem com os componentes do cigarro. “A literatura científica aponta que as altas doses de betacaroteno aumentam a ativação de moléculas liberadas durante o fumo. O tabagismo é o maior fator de risco isolado para o desenvolvimento de câncer pulmonar”, explica Thaís Manfrinato Miola, coordenadora do Serviço de Nutrição do A.C.Camargo Cancer Center.

Em razão disso, a nutricionista alerta que as cápsulas de betacaroteno não devem ser consumidas sem indicação de um especialista. Segundo Thaís, é comum, principalmente no verão, a busca pela suplementação para impulsionar o bronzeamente da pele na exposição ao sol. “O que é fator de risco para outro câncer de alta incidência”, ressalta. Por outro lado, quando os nutrientes vêm do alimento, dificilmente a absorção de betacaroteno será acima do ideal, principalmente se está inserida em uma dieta equilibrada. “Nesse sentido, deve ser incentivada”, acrescenta Thais.

Além dos alimentos in natura que contêm betacaroteno, outros que têm o papel de auxiliar na prevenção do câncer, de acordo com as evidências científicas, são os ricos em ômega 3 (salmão, atum, sardinha, chia e linhaça), em licopeno (tomate, molho de tomate, goiaba vermelha e melancia), em betacaroteno (cenoura e abóbora), em luteína e zeaxantina (espinafre e couve), em vitamina C (frutas cítricas como laranja, acerola e abacaxi), em isoflavonas (soja e feijão) e em alicina (alho).

Consultoria: A.C. Camargo Cancer Center