Bebês de até 6 meses não podem usar protetor solar, sob risco de alergia

Marcel Hartmann - O Estado de S. Paulo

Pais devem esperar criança completar três meses antes de levá-las para a praia ou piscina

Bebês pequenos devem pegar apenas sol antes das 8 horas e depois das 17 horas, diz a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Bebês pequenos devem pegar apenas sol antes das 8 horas e depois das 17 horas, diz a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Foto: Reprodução/Pixabay

Verão combina com muito sol, praia e piscina, correto? Não se você for pai ou mãe de um recém-nascido. Bebês de até seis meses devem evitar a exposição solar direta e o uso de protetores, cremes e colônias. Caso contrário, a criança pode desenvolver alergias ou sofrer queimaduras na pele. 

As maiores chances de uma reação alérgica ocorrem porque o sistema imunológico e a própria pele do recém-nascido não estão plenamente desenvolvidos, o que deixa a criança mais vulnerável, explica Livia Pino, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). "A pele do bebê ainda está em processo de formação e é bastante fina, então tem menos proteção contra agentes externos", diz a médica.

É por isso que bebês de até seis meses não devem passar qualquer protetor solar na pele, segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Crianças nessa idade devem usar "somente métodos de barreiras, como roupas e chapéus", diz o comunicado feito pela SBD a pedido do E+

Protegê-los do sol exige um pouco de jogo de cintura. Opte por roupas leves que cubram todo o corpo, chapeuzinhos e carrinhos de bebê cujo tecido filtre raios UVA e UVB, nocivos à pele. Na hora de ir para a rua, os horários são restritos. "Bebês de até seis meses devem tomar sol só até 8h da manhã e depois das 17h", diz a Sociedade Brasileira de Dermatologia. "Os índices de radiação solar no Brasil são altíssimos". 

Aliás, só a partir dos três meses é que os pais devem levar a criança para a rua, orienta Alberto Helito, pediatra do Instituto da Criança do Hospital de Clínicas da USP. "Nessa fase, o melhor é evitar lugares públicos, pensando na possibilidade de contaminação por doenças contagiosas", diz o médico. O ideal, defende, é a criança ficar dentro de casa e circular apenas na residência de conhecidos. 

Protetor solar só deve ser aplicado em bebês a partir de seis meses.

Protetor solar só deve ser aplicado em bebês a partir de seis meses. Foto: Reprodução/Pixabay

Três meses. A partir do terceiro mês, o bebê já recebeu vacinas importantes e está mais protegido para circular fora de casa. Os pais podem, então, expor o filho ao sol, com parcimônia. 

"Com 15 minutos de exposição solar semanal já recebemos a ultravioleta suficiente para a produção de vitamina D. Na criança, se considera que 15 minutos duas ou três vezes por semana são suficientes, sem o uso do filtro solar", diz um comunicado da Sociedade Brasileira de Pediatria de novembro do ano passado. Nessa fase, no entanto, o protetor solar ainda fica de fora da rotina do pequeno. Roupas leves e chapeuzinhos são obrigatórios no look de verão.

Seis meses. No sexto mês, a pele e o sistema imunológico do bebê já estão desenvolvidos o bastante para o protetor solar. No entanto, o filtro deve ser específico para essa idade, em geral aquele que deixa a pele da criança bem branquinha, como os do tipo "baby" ou "mineral"  - a faixa etária deve estar indicada na embalagem. Os cremes usados para adultos atuam de forma diferente e tem substâncias químicas que podem agredir a pele do bebê. 

Antes de aplicar o creme, teste um pouco no antebraço do pequeno, aconselha Alberto Helito, pediatra do Instituto da Criança do Hospital de Clínicas da USP. "Veja se há alguma reação como manchas ou bolinhas e só então passe no resto do corpo", diz. 

A exposição à luz solar também deve ser feita até as 8 horas e depois das 17 horas, para evitar queimaduras e o desenvolvimento de doenças, conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia. "Sabe-se que o efeito da radiação ultravioleta é acumulativo, de maneira que a exposição solar na infância é também responsável pelo aparecimento de câncer de pele na idade adulta", diz comunicado da Sociedade Brasileira de Pediatria. 

A partir de dois anos. Com a criança mais desenvolvida, os cuidados seguem, apesar de mais brandos. Segundo a SBP, os pais já podem trocar o protetor solar para a versão "infantil". O horário de exposição solar se torna mais flexível: antes das 10 horas e depois das 16 horas, para evitar o maior risco de desenvolver câncer de pele mais tarde. 

"De 25% a 50% de toda radiação solar que recebemos durante toda a vida ocorre nos primeiros 18 anos de idade [... o que é] explicado, em parte, pelo fato de as crianças realizarem muitas atividades ao ar livre", diz a SBP. 

Na hora de levar o bebê para se refrescar, a Sociedade Brasileira de Dermatologia diferencia a beira da praia em relação à piscina, devido ao cloro, que pode agredir a pele."A água salgada, sem poluição, é extremamente saudável. Não há restrição ou idade própria para a criança tomar banho de mar, desde que a água seja limpa, sem poluição. Já o banho de piscina é diferente, porque o cloro queima a pele. A partir dos seis meses há uma liberação gradual, de acordo com a maturidade cutânea da criança", diz o texto. 

A preocupação, aqui, volta a ser a exposição solar e a reaplicação do protetor. Por via das dúvidas, poupe seu pequeno do sol forte e invista no filtro solar - não o do Pedro Bial, é claro.