Ontem foi a entrega do Oscar e os filmes vencedores receberão milhares de espectadores nas salas de cinema, isso me fez lembrar o comentário do Prof. Pablo Gonzales Blasco, nosso parceiro no Clube da Leitura do programa Longevidade do Hospital 9 de Julho quando decidimos discutir com o grupo o livro O Caçador de Pipas, um best-seller que fez sucesso estrondoso nas livrarias e depois também no cinema. A maioria do grupo já havia lido o livro há algum tempo, mas o prof. Pablo não o tinha lido por um simples motivo – ele diz que tinha uma resistência a ler best-sellers , mas não sabia exatamente porquê. Nessa experiência descobriu.

Para poder conduzir a discussão leu o livro, gostou muito, tomou nota de vários trechos. No dia do encontro com o grupo lançou a pergunta: “Qual foi a sua experiência na leitura?”  E surpreendeu-se com as respostas. Alguns destacaram como foi interessante conhecer outra cultura (no caso do Paquistão).  O prof. perguntou:  “A  orelha do livro fala sobre amizade, não? Algum comentário sobre isso?”  Teve quem aventurou alguma consideração sobre o assunto, mas de forma tímida. Ele diz que revisou suas anotações e entendeu porque não gostava de ler best-sellers no auge do sucesso.

O prof. diz:  “Como tudo o que é moda no momento, produz gosto, bem estar, mas não há tempo para digerir os ensinamentos. A fama é avassaladora, rápida, difusiva. E também impessoal. Lemos o que todos leem, falamos do que todos falam, ficamos na periferia do tema, sem mergulhar um ápice no miolo. Uma espécie de Flash Mob cultural, onde todos se juntam, se divertem, curtem o momento, mas poucos se perguntam o que estavam fazendo ali naquela ocasião.   O Caçador de Pipas é um canto à amizade, à lealdade, uma bofetada impressionante no egoísmo; é  uma evidência contundente de que o que compensa na vida é dedicar-se aos outros, pensar neles, cuidá-los, afogá-los em amor que redime.  O Caçador de Pipas vai muito além de Amir e Hassan, dois amigos e uma história de integridade e de traição num país distante.  A “maldita lealdade inabalável” é virtude que podemos apreciar do nosso lado, que nos cutuca para ser melhores, para desprender-nos do nosso egoísmo mesquinho. Uma possibilidade real, diária. É preciso ter a coragem de querer enxergá-la, entusiasmar-se com ela, e querer de fato mudar para melhor. Daí sim, os livros deixam de ser best-sellers para transformar-se em clássicos que moldam a alma dos homens”, diz o prof.

Passada a “euforia” com a leitura do best-seller, o que de fato nos fala o livro é o valor da amizade. E eu só posso dizer o seguinte. Longevidade se conquista com investimento em  saúde, ou seja, alimentação saudável, bons hábitos, mas, principalmente,  na busca do sentido da vida. E se há algo que contribui muito para dar sentido à vida – isso é a amizade!