Hoje a minha convidada é a Dra Barbara Murayama, ginecologista responsável pela Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho.

Muitas mulheres acreditam que a prevenção envolve apenas exames de rotina, com a visita ao ginecologista uma vez por ano. Mas vai além. Orientações sobre boa alimentação, atividade física regular até bons hábitos sexuais, preservação da fertilidade e higiene íntima são assuntos indispensáveis para a boa saúde.

A ginecologista é a médica da mulher. Geralmente é a única especialista visitada anualmente e cabe a ela atender a inúmeras queixas, ginecológicas ou não. Mas saiba que essa profissional pode discutir assuntos que estão fora do universo ginecológico ou aqueles próprios da idade.

Um bom exemplo é a vacinação. Por que não? Não é raro algumas pacientes virem com dúvidas sobre vacinas contra Hepatite A e B, meningocócicas, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola, varicela), tétano e coqueluche. Além da gripe para os grupos de risco na época do inverno.

A sexualidade também é um tema em voga, principalmente com a queda da libido própria do climatério, fase em que ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, devido à diminuição dos hormônios sexuais produzidos pelos ovários. Essa fase gera muita ansiedade e, se bem orientada com atividade física regular, alimentação balanceada e gerenciamento de estresse é possível passar por ela sem grandes transtornos. Além da terapia de reposição hormonal em casos bem selecionados, em algumas mulheres, apenas a terapia hormonal em forma de creme vaginal, por exemplo, será suficiente para melhorar a secura própria do hipoestrogenismo e trazer de volta o prazer.

A orientação sobre uso de preservativo é prioridade, em qualquer idade e não menos importante na pós menopausa, pois algumas doenças sexualmente transmissíveis não tem cura, como a AIDS. Outras podem causar cicatrizes internas como a doença inflamatória pélvica, causando infertilidade.  E todas, mesmo as que têm tratamento mais simples, trarão algum prejuízo psicológico que pode afetar a vida sexual da mulher por tempo indeterminado.

Muitas mulheres na pós menopausa, por já não terem preocupação com gestação indesejada, acham que não precisam mais usar preservativo. Hoje há uma liberdade sexual maior, a sexualidade pode ser uma realidade por muito mais tempo graças a maior expectativa de vida da população, em geral, e também mais recursos inclusive de medicamentos para colaborar neste campo tanto masculino quanto feminino. Temos tido mais casos de DST (doenças sexualmente transmissíveis) em pessoas de mais idade.

Na busca por uma vida mais feliz e saudável os próprios exames de rotina não devem ser descartados. O Papanicolau, que busca detectar lesões causadas pelo HPV- papiloma vírus humano, por exemplo, é indispensável e deve ser iniciado a partir dos 21 anos. Já a mamografia, que busca lesões iniciais de câncer de mama, deve ser solicitada a partir dos 40 anos, ou aos 35 quando há antecedente de familiar de primeiro grau com câncer de mama.

Viva mais e melhor.