As homenagens para o Dia dos Pais encheram as redes sociais neste final de semana. Declarações sinceras de filhos sobre seus pais presentes ou ausentes me fizeram pensar em algo muito profundo: muito idoso não percebe sua importância.

Não é raro pacientes me abordarem no consultório questionando sobre sua utilidade nesta fase da vida.

Doutor, meus filhos estão casados, com suas próprias famílias e eu estou aqui para que?

Não é fácil responder a esta questão. Mas acredito piamente que todos estão aqui nesta vida por uma razão. Sem entrar no mérito religioso, posso afirmar, com toda certeza, que temos sim utilidade nesta vida.

Ao pensar nos meus avós ou nos meus pais, acredito que suas experiências, vivências e histórias de vida nos inspiram, nos ensinam e são muito úteis. Embora o tempo seja outro, a tecnologia tenha avançado muito, os conflitos pessoais, as dificuldades profissionais e até os dilemas da vida são os mesmos, independente da década ou do século.

Talvez o que falte para estes idosos seja encontrar algo de que realmente gostem.  Leitura, música, poesia, cantar no coral, ensinar.

Minha recomendação é que encontrem algo que dê prazer e,principalmente, que envolva outras pessoas, especialmente as mais jovens. Se você é uma senhora que adora cozinhar, ensine outros as suas receitas. Garanto que o elogio de “está delicioso” fará muito bem ao coração e à alma.

Aquela habilidade manual em consertar coisas também é muito útil para ajudar os filhos, sobrinhos ou netos com algum problema doméstico. Se arrisque. Logo esta sensação de inutilidade vai dar lugar a uma satisfação por ajudar alguém. Se você é uma pessoa com alguma dificuldade de locomoção, conte histórias. Aposto que muitas crianças ou os mais jovens vão se encantar com as peripécias de um tempo sem computador, sem google e sem internet.  Viva mais e melhor!