Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

 Acho que todos nós já nos perguntamos: por que devo me exercitar? Na terceira idade, na boa idade, idoso ou aposentado, essa pergunta se torna mais freqüente ainda. A resposta? Deixo meus argumentos para que a decisão seja sua, mesmo porque já tenho a minha muito bem estabelecida.

A vida é bastante dinâmica. Conseguimos dar respostas que se transformam sempre em verdades e leis para aquele momento. Com a saúde também é assim. Para que você não seja pego de surpresa faça suas avaliações periódicas regularmente. A Medicina do Esporte inclui um teste de esforço máximo além da análise da composição corporal e do aparelho locomotor. Fica mais fácil escolher o melhor exercício para um bom retorno de bem estar e da saúde.

Tudo “em cima”, voltamos a pergunta: se tudo está ótimo, porque mudar? O mundo evoluiu com as modernidades que nos deu de presente o sedentarismo, convite ao ócio principalmente agora nessa idade em que “tudo dói”, tudo é muito mais difícil de ser executado e de ser tolerado.

Bem, vamos ver o que acontece se ligarmos a máquina que se mostra cada vez mais emperrada, em busca de uma vida mais saudável, mais participativa.

O maior benefício, mais fácil de ser percebido e mais rápido de ser obtido é o cardiovascular. Sabemos que a maior morbidade e mortalidade nos idosos é causada pela doença das coronárias.

Sabemos também que, ao praticar exercícios aeróbios regulares, o risco de mortalidade, a diminuição dos sintomas da doença, principalmente da angina (dor no peito da falta de circulação), das hospitalizações por recaídas da doença, entre outros efeitos desagradáveis, diminui drasticamente.

Tudo acontece por uma somatória de acontecimentos. A maior demanda de oxigênio do exercício exige adaptação do músculo cardíaco que se torna mais forte. Para ejetar a mesma quantidade de sangue dos tempos que você era sedentário, precisará trabalhar menos por ser mais potente. Isso é percebido facilmente nas tarefas rotineiras e mesmo no repouso em que a freqüência cardíaca passa a ser menor, ou seja, bate menos para o mesmo esforço.

Essa adaptação do coração irá oferecer um melhor fluxo sanguíneo para as coronárias (artérias que irrigam o músculo cardíaco), funcionando como um mecanismo contra infarto e angina.

Outra conseqüência cardiovascular (coração, coronárias e demais vasos sanguíneos) dos exercícios aeróbios regulares é o aumento do colesterol de alta densidade (HDL – o bom colesterol)  e baixa do colesterol de baixa densidade (LDL – o colesterol ruim), ação reconhecidamente como cardioprotetora.

Vasos sanguíneos periféricos “dormentes”, ou seja, presentes mas não utilizados por não serem necessários, passam a ser solicitados. Isso permite melhor fluxo de sangue nos locais distantes com menor esforço do coração. Fácil também de perceber: os pés e as mãos tornam-se mais quentes. Você será requisitado pela sua cara metade com mais freqüência por serem sempre quentinhos. Bom, não é? Assim espero.

Não se convenceu? Continue por aqui. Tenho muito mais munição para derrubar essa preguiça. Viva mais e melhor.