Já ouvi vários pacientes me dizerem que sentem vontade de iniciar uma nova atividade ou voltar a estudar, mas que consideram que o tempo passou e que agora é tarde. Digo com todas as letras que isso não é verdade.

O jornal norte-americano The New York Times publicou recentemente uma matéria contando a história de idosos que estão fazendo terapia pela primeira vez. Os depoimentos de quem estreou o divã aos 70 ou 80 anos são emocionantes.

De acordo com dados da National Alliance on Mental Illness, grupo de defesa dos doentes mentais, mais de 6,5 milhões de norte-americanos com mais de 65 anos sofrem de depressão. Só que há 50 anos atrás o tema era um tabu entre as pessoas e era quase inadmissível falar no assunto. Com o avanço da medicina e do maior conhecimento dos médicos sobre os distúrbios mentais depressão, distúrbios de ansiedade e algumas fobias foram sendo diagnosticadas com mais facilidade.

Outro mito que foi quebrado após a evolução da psicologia cognitiva é que depois de uma certa idade é quase impossível mudar um padrão de comportamento. Segundo alguns especialistas entrevistados pelo jornal, os idosos costumam ter um índice de satisfação mais elevado na terapia em relação aos mais jovens porque costumam encará-la com maior seriedade.

Não estou aqui defendendo que você vá correndo procurar um psicólogo. Isso é bom. Mas a mensagem central é a ideia de que você faça as mudanças que tem vontade, sem levar em conta os anos no RG. Como disse bravamente um dos entrevistados pelo The New York Times com 86 anos e que faz terapia desde 80 anos: “Não posso voltar atrás, só seguir em frente”. Siga em frente e viva mais e melhor.