O sol já vai surgir! Ela acorda, como faz todos os domingos, prepara o café e chama seu companheiro. Ela já passa dos 75. Ele já chegou na casa dos 80.

Não são nem 5 da manhã e o casal de senhores – vou batizá-los de os Freitas –  estão rumo à feira livre, local onde possuem uma barraca de laticínios e acepipes.

O local cheira coisa boa. Azeitonas argentinas, queijo de minas, linguiça do interior de São Paulo (versão apimentada e sem pimenta), picles e uma infinidade de gostosuras.

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Ela, muito ardilosa, serve aos clientes com presteza. Ele, mais falador, se encarrega de cortar as linguiças e explicar como foram feitas. Ela me contou, enquanto eu experimentava a 10ª azeitona, que parou de fazer outras feiras e só ficou com essa. E falou enfática: “Estamos cansados”.  Eles estão na mesma barraca há 55 anos.

Na hora de pagar, ela faz as contas de cabeça, apesar de a máquina de somar estar à mão. Ele confere a notinha, mas nem precisa. A conta está certa.

Me despeço do casal, com bem mais coisas que eu necessitada, mas com uma alegria incrível no coração. Que casal incrível, que vitalidade, que força de vontade.

Nesta hora me lembrei do que é mais importante na vida: fazer o que gosta e fazer com alegria no rosto.

Nessa singela história real, tudo o que acredito estava lá. É preciso alegria de viver, para que tudo o que gostamos de fazer, faça sentido. Viva mais e melhor.