Hoje meu convidado é o Dr. Ricardo Nahas, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital 9 de Julho.

Acho que todos nós sabemos que a cura do câncer depende principalmente da rapidez do seu diagnóstico e do início do correto tratamento. Daí a importância dos exames anuais preventivos e de campanhas de alerta (Outubro Rosa e Novembro Azul) para que as pessoas se lembrem de fazê-los.

Mas onde entra o exercício nessa história? Baseados na clínica e em diversos estudos, ele é indispensável tanto na prevenção como coadjuvante no tratamento.

Vamos começar pela prevenção. Como todo procedimento, deve começar por uma visita ao seu médico clínico assistente e, se especialista em medicina do esporte, melhor ainda. Após uma conversa e exame físico e com o teste de esforço e outros eventualmente solicitados, o exercício será indicado na sua intensidade, duração e freqüência para ser executado sob acompanhamento de educador físico habilitado.

Bem, agora estamos prontos para iniciar nosso trabalho de prevenção de câncer. Está convencido de que vale a pena? Ou precisa de mais um empurrãozinho?

Então vamos lá: as pesquisas mostram uma relação direta entre sedentarismo e câncer de próstata, coloretal e pulmão. Certo ! Mas, se deixar de ser sedentário diminui essa incidência? De acordo com o World Câncer Research Fund (Fundação Mundial de Pesquisa do Câncer – WCRF), sim!

Analisando trabalhos publicados e, com o devido tratamento estatístico, que permite comparação, provou-se que a população que se exercita em intensidade moderada durante 3 horas por semana apresentou uma incidência 13% menor de morrer de câncer do que a população sedentária e portadora da doença.

Então, você deve imaginar que um atleta nunca terá câncer. Pois é, a proteção que o exercício traz não é diretamente proporcional ao seu volume, ou seja, não precisa se preparar para jogar a próxima Copa do Mundo. O Brasil ganhará mais com você como um atleta de arquibancada, torcendo com disposição durante o jogo inteiro.

Mas e se a casa caiu? Fiz exercício a vida inteira e hoje tenho câncer.  Tempo e suor perdidos? Fique sabendo que aqueles que já praticavam exercícios regulares antes do início do tratamento da doença tiveram índice de óbito 35% menor do que os sedentários e que desenvolveram a doença.

Bem, então é ao contrário: perdi a chance de diminuir a ocorrência da doença (e dela morrer) por ser sedentário e agora estou doente. Saiba que assim mesmo, o exercício regular que ora se inicia vai te ajudar não só a suportar o tratamento (quimioterapia, radioterapia, cirurgias) como oferecer um índice de óbito 21% menor do que aqueles que permaneceram sedentários após diagnóstico e tratamento adequados.

Impressionante, não é? Veja, se você pensar que o câncer é uma doença crônica semelhante ao diabetes tipo II, hipertensão arterial, dislipidemia, entre outras, a resposta é não. A diferença principal é a sua agressividade, seu estigma e o desfecho desfavorável quando a comparação é feita.

O exercício regular é um poderoso aliado na prevenção e tratamento dessas doenças que se arrastam e nos acompanham principalmente na chamada melhor idade.

Parece que o disco quebrou mas a conclusão é a mesma que tirou você do sofá: exercício é um santo remédio! Viva mais e melhor.

Fonte: “The dose–response effect of physical activity on cancer mortality: findings from 71 prospective cohort studies” – Tingting Li, Br J Sports Med 2016;50:339–345