Hoje o meu convidado é do Dr. Ricardo Nahas, médico do Esporte do Centro de Medicina do Exercício e Esporte do Hospital 9 de Julho.

Já estivemos conversando nessa coluna sobre a osteoporose. Falamos de uma doença que acontece na terceira idade e que está associada ao envelhecimento. Mas será que só idosos têm essa doença? Não. Não? Pois é. Dizem que o passado nos condena.

Há cerca de 30 anos um grupo de especialistas se reuniu para discutir uma constatação: existem meninas na adolescência com osteoporose. Uma constatação que é mais marcante e mais evidente entre aquelas que praticam esportes nos quais o baixo peso se relaciona com um bom desempenho.

À época existia uma máxima entre os que trabalhavam com esportes de alto rendimento e competitivo: “be thin to win” (ser fino para vencer). Para os médicos, uma observação dramática: “jovens meninas com ossos de velhas”.

Explico: bailarinas, corredoras de longa distância (maratonistas), esquiadoras, entre outras, se beneficiam ao carregar a menor quantidade de peso possível (finas) durante competições. E como fazer? Simples: parar de comer.

Essa dieta forçada, no entanto, gera naturalmente um balanço energético negativo, pois o treinamento tem que permanecer em alta intensidade para as conquistas pretendidas.

Consumindo o combustível disponível, armazenado, e não a nova oferta que deveria vir com uma dieta balanceada, a desnutrição conseqüente fará com que funções importantes sejam dispensadas.

Uma dessas funções “desligada” para economizar energia é a reprodução. Leva a suspensão da produção de estrógeno, um dos responsáveis pela fixação do cálcio no osso. E osso sem cálcio é osso osteoporótico!

Infelizmente o diagnóstico desse quadro, chamado de “tríade da mulher atleta” é feito com maior frequência quando ocorre uma fratura, por estresse em osso osteoporótico. A dor é o motivo para a visita médica e início do tratamento pois as alterações da dieta são pouco sentidas e a falta da menstruação encarada como uma “benção” por não trazer aquele incômodo mensal.

Este quadro estudado em grupos de atletas não é exclusivo desta categoria. Pode ocorrer naquelas que fazem regimes drásticos associados a programas de treinamento exaustivo, na busca do corpo dito ideal.

Algumas chegam a desenvolver distúrbios psicológicos, como anorexia nervosa e bulimia, agravando ainda mais a doença.

O tratamento? Corrigir o balanço energético com acertos no treinamento e uma dieta mais equilibrada, com suplementos quando necessário, principalmente cálcio e vitamina D. Lembra algo que a vovó toma?

Então, os exercícios fazem ou não efeito na osteoporose? Podem ser agravantes da doença? Ou previnem e tratam?

Continue atento ao nosso blog que eu contarei em breve.