Hoje minha convidada para escrever neste espaço é a dra. Rosana Irie, médica participante do Clube da Leitura do Programa Longevidade do Hospital 9 de Julho. Vale a pena a leitura!

Pode parecer estranho escrever um texto em um blog sobre longevidade, sendo eu tão jovem. Porém, assim como as pessoas com mais idade tentam passar sua experiência para os mais jovens, quero propor um desafio inverso. Quero dar a minha visão jovem para que os mais velhos possam refletir sobre como passaram a juventude e tudo o que construíram até aqui.

“Dentre a tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração”, como escreveu Caio Fernando Abreu quero propor esse momento de reflexão.

Participo do Clube da Leitura do Programa Longevidade do Hospital 9 de Julho, com o Prof. Dr. Pablo Gonzáles Blasco e, em um dos encontros discutimos “O retrato de Dorian Gray”. A discussão foi muito rica e os participantes tiveram a oportunidade de refletir sobre o passado e a juventude. De uma fase da vida já além do vaidoso Dorian Grey.

A minha angústia jovem expôs a seguinte questão: como fazer as escolhas certas hoje? Como fazer as escolhas, sabendo que elas podem ser decisivas na minha vida? Sabendo que a minha vida pode tomar um rumo e não outro? Vou deixar a oportunidade passar?

Isso sempre me passa pela cabeça, e acho que a primeira vez que pensei nisso foi há 7 anos, quando li “O amor nos tempos do cólera”. A personagem, Fermina Daza, decide se casar não com o protagonista, mas com um homem importante da sociedade, o trecho diz “(…) foi o que fez no minuto crucial da sua vida, sem levar em conta para nada a beleza viril do pretendente, nem sua riqueza lendária, nem sua glória precoce, nem nenhum dos seus méritos reais, e sim aturdida pelo medo da oportunidade que lhe escapava.”

Sei que ninguém, independente da idade, pode me dar essas respostas. No entanto, quis propor essa reflexão, para que cada um olhasse pra trás e pensasse sobre o que foi bom, do que se arrepende, mas, o mais importante, pensasse nas escolhas corretas, aquelas que, mesmo depois de tantos anos, cada um escolheria da mesma maneira.