A polêmica em torno dos adoçantes, os famosos substitutos do açúcar, parece não ter fim. Mas, afinal, quais os prós e os contras na hora de escolher um deles?

Para falar sobre o assunto, convidamos hoje o conceituado nutricionista Clayton Camargos, de Brasília.

Os adoçantes artificiais e outros substitutos do açúcar são encontrados em uma grande variedade de alimentos e bebidas comercializados como “sugar free”, “no sugar”, “diet”, “zero”, “light”, “sem adição de açúcar”, incluindo refrigerantes, gomas de mascar, geléias, pães, doces, sucos de frutas, sorvetes e iogurtes.

Mas o que são adoçantes? E qual é o seu papel na rotina alimentar?

Segundo o especialista, “os substitutos do açúcar são considerados quaisquer adoçantes que sejam utilizados em vez de açúcar de mesa comum (sacarose). Já os adoçantes artificiais são apenas um tipo de substituto do açúcar”.

Ele explica: “O conceito ‘substitutos do açúcar’ pode ser confuso. A questão é que geralmente a terminologia é suscetível à diversas interpretações. Não raramente, alguns fabricantes chamam seus adoçantes de ‘natural’, mesmo que sejam processados ​​ou refinados, como a estévia e seus correspondentes. De outra parte, alguns adoçantes artificiais são derivados de substâncias naturais – sucralose é um produto da sacarose, por exemplo. Independentemente da forma como são classificados, os substitutos de açúcar não são fórmulas mágicas para a redução de peso.”

De acordo com Camargos, os adoçantes artificiais são substitutos para o açúcar sintético, mas podem ser processados a partir de substâncias naturais, incluindo ervas ou o açúcar em si. Também são conhecidos como edulcorantes intensos, porque muitas vezes são mais doce do que o açúcar comum.

“Essas substâncias são alternativas atraentes. Além disso, será necessária apenas uma fração comparada com a quantidade de açúcar que seria utilizado normalmente para alcançar uma doçura palatável. Isto o torna popular: alguns podem até mesmo ser utilizados em preparações culinárias. Ainda assim, cabe verificar os rótulos dos edulcorantes artificiais destinados ao consumo doméstico.”

Para ele, o benefício mais relevante desses produtos é que eles não contribuem para o aparecimento de cárie.

Sobre o tema, Camargos ainda destaca:

  • Controle de peso: um dos aspectos mais atraentes dos adoçantes é que praticamente não têm calorias. Em contrapartida, cada grama de açúcar de mesa regular contém 04 kcal. Uma colher de chá (nivelada) de açúcar porta cerca de 04 g. Para perspectiva, considere que uma lata comercial de 325 ml de um refrigerante adoçado (tradicional) contém 08 colheres (niveladas) de chá com açúcar, ou aproximadamente 130 kcal. Se o objetivo é reduzir ou evitar o ganho de peso, os produtos adoçados com adoçantes artificiais podem ser uma opção divisível.
  • Diabetes: edulcorantes podem ser uma opção ao açúcar aos portadores de diabetes; geralmente não elevam os níveis de açúcar no sangue porque não são carboidratos. Mas, por conta de preocupações sobre como esses substitutos, são rotulados e classificados. Cabe consultar o médico ou nutricionista sobre sua indicação e utilização.

Algumas curiosidades:

  • O primeiro adoçante artificial descoberto foi a sacarina: encontrada por um acaso, em 1879, por uma química assistente de pesquisa do cientista norte-americano. Dr. Constantino Fahlberg. A sacarina foi usada esporadicamente como adoçante até a Primeira Guerra Mundial. Durante esse período, a maior parte do açúcar foi racionado, e o uso da substância aumentou dramaticamente.
  • Como opção mais comum nas prescrições de nutricionistas, endocrinologistas e nutrólogos aparece a estévia: trata-se de um adoçante zero em termos de calorias, produzido a partir da Stevia rebaudiana, uma planta nativa das zonas tropicais das Américas do Norte e do Sul. É utilizada em quantidades muito pequenas, pois é cerca de 250 vezes mais doce que o açúcar de mesa. Por isto, se torna uma alternativa interessante para uso em dietas de restrição calórica ou para manutenção do peso.
  • A estévia não é tóxica e parece não estar envolvida com câncer: tem sido utilizada com segurança como adoçante no Japão por várias décadas, e muitos brasileiros têm consumido esse produto sem problemas aparentes. O principal ponto negativo é seu paladar exuberante e que produz um sabor residual nem sempre agradável, especialmente quando adicionada nas preparações culinárias que requeiram cocção.
  • E o aspartame? Em 1965, James M. Schlatter, um químico da Searle and Company, contaminou acidentalmente a ponta do seu dedo indicador com um pó branco despretensioso. Mais tarde, naquele dia, uma página no livro que estava lendo ficou preso. Ele lambeu o mesmo dedo para virar a página, e, inadvertidamente, deu à luz para toda uma indústria, bem como para uma controvérsia aparentemente eterna. A substância no dedo de Schlatter, 200 vezes mais doce que o açúcar, foi o aspartame: um adoçante artificial. Quase 50 anos depois da descoberta de Schlatter e a incrível doçura do aspartame, ainda existe discordância entre os cientistas sobre sua segurança ao consumo humano.
  • Mas, e a sucralose? Trata-se de um edulcorante artificial popular, fabricado a partir da sacarose. A sua forma final é cerca de 600 vezes mais doce do que o açúcar: é produzida pela adição de 03 átomos de cloro para cada molécula de sacarose. Este processo faz com que o corpo não a reconheça como um carboidrato; considerando que não é digerida como açúcar, assim o organismo não é capaz de usá-la para geração de energia, de forma que nenhuma caloria será metabolizada. A presença do cloro não deve ser motivo para apreensão, lembre-se que também é encontrado (como cloreto) no sal de mesa, alface e cogumelos.

 

Camargos acrescenta ainda que a regra na escolha do adoçante deve ser simples: tenha atenção ao rótulo dos alimentos para observar o tipo, quantidade e qualidade do adoçante artificial, para somente então decidir pela sua aquisição.

 

Procure sempre conversar com seu nutricionista.

Até a semana que vem!