Nove entre dez nutricionistas indicam ômega 3 para seus pacientes. Ele já foi , inclusive, apontado como solução para diferentes tipos de problema de saúde. Mas, afinal, para que serve o ômega 3? A quantidade encontrada em peixes, por exemplo, é suficiente para as nossas necessidades ou é preciso suplementação? Quais os reais benefícios? Em que etapa da vida ele pode ser consumido? Tem alguma função na gravidez? E na terceira idade?

Para tirar essas e outras dúvidas, enviadas por leitores, pedimos a participação no post desta semana de Bruna Pitaluga Peret Ottani, médica ginecologista e obstetra, pós-graduada em Nutrologia e membro do The Institute for Functional Medicine – IFM.

A seguir, eis a entrevista:

 

1) Muito se fala em ômega 3, mas poucas pessoas parecem saber, de fato, para que ele serve. Afinal, o que é o ômega 3?

Bruna Pitaluga Peret Ottani – Ômega 3 é um conjunto de ácidos graxos poliinsaturados, o que significa que eles têm duplas ligações entre as moléculas de carbono da sua estrutura, iniciando no terceiro carbono mais distante do radical carboxila, o que os diferencia dos ômegas 6 e 9. É uma definição química importante para classificar esses tipos de óleos essenciais, ou seja, óleos que os seres humanos não produzem e têm que adquirir da natureza. Os ômega 3 são compostos principalmente por ácido docosahexaenóico – DHA e ácido eicosapentaenóico – EPA. Esses ácidos graxos são encontrados em peixes de água profunda que, ao comerem pequenos crustáceos (chamados de krill em inglês) e algas, se transformam no reservatório de ômega 3.

 

2) De que forma ele deve ser consumido?

Bruna – Existem várias formas de consumo para o ômega 3 (cápsulas, xarope etc). Porém, mais importante que a forma de consumo é observar se o produto é de boa qualidade. Um bom ômega 3 deve ser ultrafiltrado, livre de mercúrio, armazenado em vidro escuro e ter a maior concentração de DHA e EPA no seu serving size. Quando compra-se um frasco de cápsulas de ômega 3, no verso existe um rótulo que determina qual a concentração de DHA e EPA por cápsula – quanto maior a concentração, melhor é o produto. Infelizmente, no Brasil, poucas marcas preenchem esses requisitos e a grande maioria está contaminada com mercúrio, oferecendo um risco maior do que o benefício. Existe um grupo internacional chamado The International Fish Oil Standards Program – IFOS, que classifica os produtos disponíveis no mercado e lista as melhores marcas de ômega 3.

 

3) A partir de que idade ele é indicado?

Bruna – O ômega 3 deve ser usado em todas as etapas da vida! Por exemplo, durante o pré-natal, contribui para o desenvolvimento adequado do sistema nervoso fetal e regula o sistema imunológico. Na amamentação, auxilia no progresso do desenvolvimento cerebral. Na infância, exerce controle sobre o sistema imunológico e a manutenção da estamina cerebral. Na vida adulta, contribui na redução dos níveis de “colesterol ruim” e triglicerídeos e na melhora dos níveis do “colesterol bom”. Por fim, na terceira idade, atua como antiinflamatório, reduzindo, por exemplo, as dores articulares, além  de continuar com seu papel protetor do sistema nervoso central, auxiliando na plasticidade cerebral e regulando receptores hormonais.

 

4) A suplementação de ômega 3 deve ser praticada mesmo entre quem já costuma comer alimentos ricos em ômega 3?

Bruna – Deve. No Brasil, os peixes são pobres em ômega 3 porque não temos os mesmos crustáceos nos mares que países nórdicos nem os mesmos tipos de peixe que são reservatórios de ômega 3. Além disso, apesar de sermos um país costeiro, a grande maioria da população consome peixes criados em cativeiro, os quais não são reservatórios de ômega 3.

 

5) A senhora poderia listar quais os alimentos mais ricos em ômega 3?

Bruna – Os peixes de água profunda, como, por exemplo, salmão, bacalhau, sardinha e cavalinha (ricos em ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa, que são os mais saudáveis). Algumas sementes contêm o ácido alfa-linolênico – ALA, também uma fonte de ômega 3, como, por exemplo, a semente de linho (linhaça), mas dependem de vias alternativas para síntese e absorção pelo corpo humano.

 

6) O ômega 3 é considerado por muitos médicos um super alimento. Quais as novidades em pesquisas científicas relacionadas a ele?

Bruna – Uma pesquisa simples na Biblioteca Americana de Medicina com a palavra “ômega 3” produz um resultado com mais de 22.000 artigos publicados. O número de publicações cresceu principalmente na última década. Existem pesquisas que correlacionam o ômega 3 com perda de peso, redução do risco cardiovascular, melhora da função cerebral em pacientes com demência e depressão, regulação do sistema imunológico em pacientes com diagnóstico de doença auto-imune (como, por exemplo, artrite reumatóide). A lista de possibilidades terapêuticas é enorme. Lembrando, mais uma vez, que o ômega 3 deve ser de boa qualidade, caso contrário não se encontra a resposta terapêutica adequada.

 

Até a próxima semana!