A substituição de refeições por shakes tem sido prática recorrente de milhares de pessoas em busca de um corpo mais magro. Mas até especialistas divergem sobre a adoção desse mecanismo. O ideal é seguir a orientação de um profissional da área de saúde, capacitado a prescrever uma dieta individualizada, levando em consideração o perfil de cada paciente.

A pedido do blog, dois profissionais da área de saúde, o preparador físico Guto Galamba (@gutogalamba),  especialista em obesidade e emagrecimento, e o nutricionista Daniel Costa (@danielcostanutricionista), especialista em nutrição ortomolecular e esportiva, responderam a uma série de perguntas sobre o assunto.

Eis a entrevista:

Muitas pessoas têm optado por substituir refeições por shakes? Qual a sua opinião?

Guto Galamba – Todas as estratégias nutricionais restritivas são advindas do não entendimento da relação entre perder peso e emagrecer. O uso de shakes no lugar de uma refeição induz à uma ideia ilusória e que trás resultados irreais.

Daniel Costa – Depende da refeição que a pessoa vai substituir e depende do perfil de quem vai consumir. Eu gosto de utilizar o shake em algumas situações como no caso da café da manhã para pacientes com dificuldade para realizar café da manha por conta da correria do dia a dia. Shake com 250 ml de leite zero lactose + farelo de aveia + semente de linhaça +  1 fruta cai muito muito bem. A substituição no jantar para uma pessoa que, por exemplo, mora sozinha e tem preferência por uma refeição mais rápida, também pode ser uma boa pedida.

Você não considera a indústria do shake semelhante à do cigarro?  Na década de 40, nos Estados Unidos, até médico fazia propaganda do cigarro. E hoje ele é a principal causa de morte nos Estados Unidos.

Guto Galamba – Engraçada essa pergunta. Fiz uma postagem exatamente sobre isso. Acho muito pertinente a analogia. E, sim, o marketing é o mesmo. Contratam celebridades e médicos que defendem o produto/marca.

Daniel Costa – A comparação é muito injusta. Cigarro sempre trará maleficio para a saúde. Possui mais de 300 substâncias carcinogênicas.  O shake, sabendo usá-lo, é uma das inúmeras opções que o nutricionista possui para levar educação alimentar e saúde para o paciente.

Substituir uma refeição por um shake é a mesma coisa que substituir uma refeição por um suco verde ou um whey protein?

Guto Galamba – Não e sim. Não pois os valores nutricionais do shake são baixos e não apresentam tantos nutrientes quanto um shake de whey, por exemplo. E sim porque os shakes de whey não apresentam tantos nutrientes quanto um prato de comida.
Daniel Costa –  A forma de consumir é a mesma. Todas são líquidas. O que mudará é a composição. Um shake com whey protein é um shake mais hiperproteíco que o suco verde ou shakes tradicionais. Tudo depende do tipo de paciente, objetivo e ingredientes para realizar o shake.
A adoção de shakes faz sucesso porque leva a uma rápida perda de peso? Mas é uma perda consistente ou artificial?
Guto Galamba – Como disse acima, perder peso e emagrecer são coisas diferentes. Você pode perder peso e emagrecer, manter o peso e emagrecer, aumentar de peso e emagrecer e, a pior delas, perder peso e engordar.
Daniel Costa – A adoção de shakes pode ou não levar à perda de peso. Tudo depende do que a pessoa vai colocar no shake. Se for um shake com alta concentração de carboidratos simples como açúcares, achocolatados, mel, etc… pode aumentar o peso do paciente, uma vez que a facilidade de absorção, por conta da forma liquida, fará com que a grande quantidade de carboidratos rapidamente entre na corrente sanguínea. Isso vai elevar a  insulina e, consequentemente, a  adipogênese (formação de gordura). Shakes com boa distribuição dos macro e micronutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas, fibras, vitaminas e minerais) é uma boa estrategia para emagrecer em alguns casos.
Na sua opinião, o que deve ser feito para perder peso de maneira saudável?
Guto Galamba – Perda de peso ou emagrecimento?
Daniel Costa – Pelo menos 200 minutos de atividade aeróbia por semana – dividida em 4 treinos de 50 min – sem ausentar-se por mais de dois dias e com tiros de intensidade no final para condicionar-se a longo prazo. Sono reparador e alimentação adequada.
Qual é a dieta ideal para perda de peso e redução dos níveis de gordura?
Guto Galamba – Não existe um ideal. Toda prescrição, seja ela nutricional ou de treinamento, deve respeitar o princípio da individualidade biológica, que quer dizer, de uma forma mais simples e um tanto paradoxal, que “nós só temos uma coisa em comum: somos diferentes uns dos outros”.
Daniel Costa –  Não existe. Tudo depende do perfil do paciente. Cada um possui uma individualidade orgânica específica. A mais próxima (da ideal) é aquela capaz de trazer equilíbrio ao organismo minimizando, ao máximo, a necessidade do paciente de jacar na semana. Quanto menor for a necessidade de jacar, melhor será a dieta de forma a trazer emagrecimento para os que precisam emagrecer, aumento de peso para aqueles que precisam subir o peso, e manutenção para aqueles que têm esse objetivo.
Por que o nível de gordura é tão diferente nos métodos sete dobras e na bioimpedância? É normal uma pessoa ter 15% de gordura no sete dobras e 25% na bio? Qual % seria mais próximo da realidade?
Guto Galamba – Os protocolos são diferentes. Se você mudar o avaliador, no método de dobras, o percentual pode variar. Imagine mudando o protocolo. Não tem como afirmar qual seria o mais próximo da realidade visto que ambos possuem limitações. O ideal é sempre avaliar e reavaliar com o mesmo avaliador e protocolo. Digo e repito: “Estratégias que prometem um emagrecimento milagroso e sem esforço foram criadas por pessoas mau caráter para pessoas preguiçosas. Como dizia Paulo Francis… “A ignorância é a maior multinacional do mundo”.
Daniel Costa – Depende. A bio é mais oscilativa que o polloc 7 dobras. Ela funciona por meio de corrente elétrica. Neste caso, se o paciente estiver desidratado (o que é muito comum) o nível de gordura provavelmente ira subir. Para driblar os fatores oscilativos, a a melhor forma de utilizá-la é ao acordar e após a evacuação e a micção. Neste caso, inviabiliza muito o uso em consultório. Mas os dois métodos são muito bons.