O que você come ou deixa de consumir pode ter impacto no seu colesterol. Tanto no bom, chamado de HDL, como  no ruim, o LDL. Conversamos sobre o tema com o conceituado nutricionista Clayton Camargos, de Brasília.

A seguir, eis a entrevista:

 

O que o é colesterol bom? E o ruim? Quais os riscos do colesterol para a saúde?

Clayton Camargos: O colesterol é fundamental para inúmeras funções do organismo, considerando que participa da regeneração dos tecidos, dos ossos, da produção de hormônios sexuais e também da vitamina D. Com efeito, 70% de todo o colesterol presente no corpo de um indivíduo é produzido por seu próprio organismo; os 30% restantes sofrem influência direta da alimentação, exercício físico e descanso.

O colesterol precisa se ligar a uma lipoproteína para circular pela corrente sanguínea, e se divide em dois tipos de moléculas transportadoras: as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e as de alta densidade (HDL). A primeira deposita o colesterol nas paredes das artérias, podendo entupir os vasos e desencadear problemas cardiovasculares, já a segunda carrega o excesso de colesterol para o fígado para que seja eliminado pelo intestino. Daí a denominação de HDL, “colesterol bom”, e LDL, “colesterol ruim”. Este último pode ser perigoso, pois o entupimento que produz em vasos e artérias diminui o fluxo de sangue para órgãos importantes, como coração e cérebro, podendo levar ao aparecimento de doenças cardiovasculares, por exemplo, destacando-se o infarto e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

É possível reduzir o colesterol no sangue? De que maneira?

CC: Sim. Primeiramente pela adoção de um estilo de vida saudável com alimentação adequada e exercício físico regular, entretanto, existem casos em que as taxas de colesterol não se estabilizam com a adoção dos métodos conservadores, daí pode ser adotada farmacoterapia à base de estatina, que inibe a produção de colesterol pelo organismo. Porém, mesmo os usuários dessas medicações devem seguir recomendações básicas apoiadas em hábitos saudáveis envolvendo alimentação e atividades físicas para o controle do colesterol.
O colesterol alto pode ter fator como causa o fator genético?

CC: As principais causas do colesterol alto são consumo excessivo de álcool, dieta rica em carboidratos e gorduras, obesidade, tabagismo, sedentarismo, e também histórico familiar. É importante destacar que pessoas com histórico familiar de colesterol alto devem ter cuidado especial para prevenir essa doença, pois têm maiores chances de serem afetados.

Magros também podem ter colesterol elevado?

CC: Esse é um engano comum. Quem nasce com forte tendência hereditária para manifestar problemas de colesterol pode ter esses valores alterados, independentemente do peso corporal.

 

Crianças também podem ter colesterol alto?

CC: Sim, sobretudo, por conta do fator hereditariedade. Mas a obesidade e inatividade física também são fatores para disparar um quadro de alteração no colesterol total e suas frações nesse grupo geracional.

 

Como prevenir o colesterol ruim e aumentar o bom?

C: Se estiver acima do peso emagreça, faça exercícios físicos regularmente, prefira as gorduras boas como amêndoas, amendoim, castanha de caju, macadâmia, nozes, abacate, azeite de oliva, dentre outros. Consuma álcool com moderação. Não fume. Ingira ômega 3 diariamente, e pode ser encontrado em peixes como sardinha, salmão e atum, e também na linhaça dourada, que são muito importantes para reduzir os níveis de LDL. Vale também aumentar o consumo de alimentos ricos em substâncias fitoquímicas cardioprotetoras, sobretudo em suas cascas, como a maçã vermelha, o morango e a beterraba, que também auxiliam na manutenção do perfil lipídico saudável. Por exemplo, uma maneira simples de adicionar colesterol bom à dieta é trocar a manteiga por azeite de oliva extravirgem, e também acrescentar uma porção de 30 g de semente de linhaça dourada em pelo menos uma das 03 principais refeições do dia. No caso do uso do ômega 3 sintético, em cápsulas, geralmente procedente do óleo de peixe, deve ser consumido sob prescrição de médico ou nutricionista qualificados. De forma geral, recomenda-se a ingestão de pelo menos 06 g desse tipo de suplemento ao dia.

 

Até semana que vem!