A colocação de próteses de silicone está entre os procedimentos mais realizados por cirurgiões plásticos no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o aumento dos seios é responsável por 22,5% das cirurgias. Já a redução das mamas representa 11,7% do total de intervenções estéticas feitas no País.

Muitas dúvidas surgem em relação à colocação de próteses de silicones. O tema é frequentemente abordado por leitoras do blog, que enviam perguntas com dúvidas.

Por isso, pedimos ao cirurgião plástico Leandro Ventura que nos ajudasse a esclarecer verdades e mentiras sobre o assunto.

A seguir, eis a entrevista:

Plástica nas mamas atrapalha o aleitamento materno?

No caso da simples inclusão de implantes mamários de silicone (sem retirada de pele), os fatores a serem levados em consideração (no quesito aleitamento) seriam, principalmente, a via de acesso (local onde é realizada a incisão por meio da qual a cirurgia ocorre) e volume do implante (que, quando em exagero, poderia comprimir excessivamente o tecido glandular sobrejacente e, por si só, funcionar como fator traumatizador local).

No caso das reduções (mamaplastias redutoras), junto à gordura retirada há também variado volume de glândula, que é o tecido produtor de leite. Quanto menos tecido residual, menos células produtoras de leite. Seguindo o raciocínio lógico, nesses casos, poderia sim haver uma redução na capacidade de produção de leite, mas é tudo muito variável. O tecido glandular mamário responde aos estímulos hormonais da gestação de forma bastante variável de mulher para mulher. Ou seja: mamas grandes e cheias de glândula/ parênquima não são garantia de farta produção de leite, nem mamas pequenas, de produção insuficiente.

O fato é que nenhuma dessas cirurgias condena as mulheres a não mais poderem amamentar, mas quanto maior for a complexidade do procedimento mamário realizado e quanto maior for a alteração imposta à arquitetura local, maiores serão as chances de problemas num futuro aleitamento.

 

Qual a vida útil de um implante mamário?

Os implantes atuais são produzidos com gel de silicone altamente coesivo e revestimento resistente, mas, apesar da longa vida útil que essas características lhes conferem, não são eternos. Não há um prazo fixo para troca. Na prática, o que se observa é um aumento progressivo no índice de alterações que indicariam a necessidade de troca à medida que aumenta o tempo decorrido da cirurgia de inclusão dos implantes, até, geralmente, um limite máximo de 20 anos para algumas fabricantes.

Implantes de silicone aumentam o risco de doenças e/ou de câncer de mama?

Não. Não há qualquer relação entre implantes mamários de silicone e aumento na frequência de qualquer patologia, quer seja ela na mama ou em outros órgãos. As mulheres com implantes, como todas as outras, apenas deverão manter avaliação médica periódica e realizar os exames de imagem que seu cirurgião julgar necessários (possivelmente, antes do previsto para as mulheres sem implantes), para monitorização.

Implantes podem se romper, girar ou sair do lugar?

Sim. Apesar da elevada qualidade dos implantes mamários atualmente oferecidos pelas maiores empresas no mercado, ainda assim é possível que, por algum imprevisto (não seguimento correto das orientações pós-operatórias, trauma mecânico, infecção, má técnica cirúrgica, implante de baixa qualidade), haja ruptura ou deslocamento, mudança de posição do(s) implante(s). Nestes casos, nova cirurgia estaria indicada.

Como é o pós-operatório?

Há que existir um comprometimento por parte da paciente com todo o processo que envolve uma cirurgia. E o entendimento de que há aspectos inerentes às características orgânicas de cada um, que por si só podem influenciar negativamente o processo de cicatrização. No geral, estariam indicados:

  1. Hábitos alimentares saudáveis;
  2. Ingestão hídrica generosa (2-3L/ dia), que minimiza os riscos de trombose e favorece a cicatrização e o bom funcionamento de rins e intestino;
  3. Não ingestão de bebidas alcoólicas, que de imediato podem causar vasodilatação, piora de inchaço, sangramento e, num segundo momento, desidratação;
  4. Não fumar, por seus múltiplos malefícios, em especial, lesão vascular, isquemia tecidual, piora na qualidade da cicatrização;
  5. Não se expor ao sol pelo período mínimo de 60 dias, a contar da data da operação, porque os melanócitos (células que produzem o pigmento escuro da pele) ficam mais sensíveis à radiação UV durante o processo de cicatrização, podendo escurecer as cicatrizes;
  6. Não realizar atividades físicas ou afastar os braços do tronco, porque até aproximadamente um mês e meio (45 dias) a cicatriz ainda apresenta uma resistência muito pequena ao estiramento, podendo, caso tenha sido estimulada precocemente, vir a alargar no futuro;
  7. Dormir de barriga para cima por um mês;
  8. Dê preferência para roupas de fácil vestimenta, para que não seja necessário elevar os braços;
  9. Faça uso contínuo do sutiã cirúrgico por pelo menos um mês (24h/ dia);

 

Existe uma época melhor para fazer a cirurgia?

A melhor época é a que melhor permitir que a paciente realize repouso moderado e siga corretamente as recomendações médicas pré e pós-operatórias. Em resumo, após dois meses, correndo tudo bem com o processo de recuperação pós-operatória, as pacientes estão aptas à vida normal: atividades físicas sem restrições (apenas evitando impacto na região das mamas, quando tiver havido inclusão de implantes), dormir de bruços, praia (recomendado apenas o uso de protetor solar nas cicatrizes até em torno de 1 ano ou pouco mais, quando de fato as cicatrizes estariam completamente maduras).

 

Até a próxima semana