Você sabia que a alimentação alimentação inadequada é um dos fatores de risco da endometriose? “Uma mulher que come uma dieta com alimentos com alta carga glicêmica e rica em alimentos processados é uma mulher inflamada, pois esses produtos liberam uma série de prostaglandinas, substâncias liberadas no corpo em resposta a um agente inflamatório. Ao contrário, uma mulher que se alimenta de vegetais e com uma dieta rica em nutrientes e antioxidantes, reduz a sua inflamação sistêmica.” A afirmação é da médica Bruna Pitaluga Peret Ottani, ginecologista e obstetra, pós-graduada em Nutrologia e membro do The Institute for Functional Medicine (IFM).

Segundo ela, uma dieta para mulheres com endometriose deve ser rica em verduras, proteína de alta qualidade (ex ovos), nozes (todos os tipos), sementes, frutas vermelhas e outras frutas ricas em antioxidantes. Um tipo específico de vegetais, os crucíferos, são fundamentais no auxílio ao metabolismo para eliminar o excesso de estrogênio. São eles a couve, repolho, couve-de-Bruxelas e brócolis. Além de manter uma ingestão rica em fibras para o bom funcionamento do intestino, que ajuda a eliminar o estrogênio.

A seguir, eis a entrevista

 

O que é a endometriose? Quais os sintomas e como é feito o diagnóstico?

Bruna – A endometriose é a doença na qual o tecido de dentro do útero, o endométrio, se desloca para fora do útero, como nos ovários, trompas e outros tecidos. Quando uma mulher menstrua, esse tecido cresce e se modifica para receber o óvulo fecundado e, quando isso não acontece, ele descama e a mulher sangra. Quando o tecido endometrial se localiza fora do útero, ele sofre as mesmas modificações, mas quando sangra, esse sangue não exterioriza pela vagina e sim dentro da cavidade abdominal, causando sintomas de dor pélvica intensa no período menstrual, que é característica da doença. Outros sintomas são dor para urinar, evacuar, durante arelação sexual e infertilidade. Trata-se de uma doença relacionada com o período menstrual e, portanto, acomete mulheres jovens e em idade reprodutiva. O diagnóstico é diferencial. Inicialmente, o médico deve excluir outras causas de dor pélvica como cisto hemorrágico, doença inflamatória pélvica ou intestinal, gestação ectópica em caso de dor aguda dentre outras. Geralmente, os exames complementares solicitados são exame clínico e ginecológico, ultrassonografia e, quando necessário, laparoscopia para avaliar a extensão das lesões.

 

Como tratar a endometriose? 

Bruna – O tratamento consiste no alívio da dor e na redução dos sintomas associados, com prescrição de antiinflamatórios, e na redução da produção de estrogênio com uso de anticoncepcionais orais ou outras drogas que inibem o ciclo menstrual, levando a sintomas de menopausa precoce.

Em casos mais graves, a cirurgia é indicada para remoção das lesões de endometriose na pelve e até no abdome.

 

Por qual razão o número de mulheres com endometriose tem aumentado ano após ano?

Bruna – A cada ano aumentamos o número de pessoas com doenças relacionadas com inflamação sistêmica, como por exemplo obesidade e diabetes mellitus. Apesar da causa da endometriose não ter sido esclarecida, os estudos mais recentes apontam para alteração nos fatores que regulam a resposta inflamatória no endométrio.

 

Quais os fatores de risco para desenvolver endometriose?

Bruna – Entre os fatores de risco para desenvolver endometriose estão nunca ter engravidado, início precoce dos ciclos menstruais, início tardio da menopausa, ciclos menstruais curtos, consumo de álcool e ter níveis elevados de estrogênio.

 

Existe alguma relação entre a alimentação inadequada com a endometriose?

Bruna – Com certeza. A alimentação faz parte dos fatores de risco para aumento da inflamação sistêmica. Uma mulher que come uma dieta com alimentos com alta carga glicêmica e rica em alimentos processados é uma mulher inflamada, pois esses produtos liberam uma série de prostaglandinas, substâncias liberadas no corpo em resposta a um agente inflamatório. Ao contrário, uma mulher que se alimenta de vegetais e com uma dieta rica em nutrientes e antioxidantes, reduz a sua inflamação sistêmica. Uma dieta para mulheres com endometriose deve ser rica em verduras, proteína de alta qualidade (ex ovos), nozes (todos os tipos), sementes, frutas vermelhas e outras frutas ricas em antioxidantes. Um tipo específico de vegetais, os crucíferos, são fundamentais no auxílio ao metabolismo para eliminar o excesso de estrogênio. São eles a couve, repolho, couve-de-Bruxelas e brócolis. Além de manter uma ingestão rica em fibras para o bom funcionamento do intestino, que ajuda a eliminar o estrogênio. Como o sangramento nessas mulheres pode ser aumentado, recomenda-se avaliação dos níveis de ferro e, quando indicado deve ser realizada a suplementação. Assim como ômega 3, que deve ser suplementado, já que mulheres que mantém bons níveis de ômega 3 tem 22% menos chance de desenvolver endometriose.

 

Atividades físicas podem ajudar a minimizar os efeitos da endometriose? O que mais pode ser feito para minimizar os casos em que as mulheres relatam dor.

Bruna – Atividade física produz substâncias antiinflamatórias e hormônios que ajudam a regular a produção de estrogênio, como testosterona e hormônio do crescimento. O melhor tratamento para endometriose é a prevenção, mantendo uma dieta equilibrada, glicemia controlada, prática regular de atividade física e manutenção do estresse controlado, já que o tratamento medicamentoso para a endometriose consiste na suspensão da ovulação e, frequentemente, está associado a sintomas relacionados a menopausa precoce, como ressecamento vaginal, irritabilidade, insônia, queda da libido, depressão e alteração na densitometria óssea (osteopenia ou osteoporose), entre outros.

 

Até semana que vem!