Pesquisas recentes têm mostrado a importância de uma boa alimentação para o cérebro. Isso mesmo. Comer bem não significa apenas tentar evitar algumas doenças e, muito menos, se preocupar apenas com o espelho e a balança. Cientistas têm apontado que para manter o cérebro jovem é preciso tomar algumas medidas, como melhorar o estilo de vida. A obesidade e o acúmulo de colesterol nas artérias, e com ele a diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro, são extremamente prejudiciais. Por outro lado, nutrientes como o ômega 3 e as vitaminas D e B12 podem reduzir os prejuízos provocados pela idade.

A atividade física também é fundamental, ainda segundo os especialistas, para estabelecer um melhor fluxo sanguíneo para o cérebro. Ela ainda atua na liberação de proteínas que estimulam o crescimento e a manutenção de conexões neurais.

Pedimos ao nutricionista Júlio Aquino, membro do American College of Sport Medicine e do Institute of Functional Medicine, uma lista com dez alimentos que ajudam no funcionamento da nossa “máquina”.

 

 

 

  1. NOZ

A noz é rica em fósforo, essencial para a formação de energia na célula nervosa. Sem ele, a célula não consegue formar neurotransmissores, o que pode ocasionar problemas de saúde, como depressão e ansiedade.

 

  1. QUEIJOS BRANCOS 

Ricos em proteínas e sódio, estes alimentos ativam nosso cérebro. Ele é recomendado principalmente para quem tem cansaço mental. Seu consumo também diminui a incidência da depressão.

 

  1. LEITE E DERIVADOS

Esses alimentos são ricos em cálcio, mineral importante para a atividade excitatória do cérebro. É muito bom para quem tem depressão, mas é preciso tomar cuidado: para pessoas ansiosas, a ingestão pode aumentar o quadro de ansiedade.

 

  1. BATATA DOCE

Rica em cromo, ajuda a aumentar a entrada de glicose na célula cerebral – e a mantê-la. Desta maneira, fornece energia para os neurônios.

 

  1. AVEIA 

Tem grande quantidade de lisina, um aminoácido inibitório do sistema nervoso. Desta maneira, ela relaxa o corpo e dá a sensação de prazer. Boa opção para quem tem ansiedade e insônia.

 

  1. BETERRABA 

Este vegetal é rico em taurina que, assim como a lisina, tem efeito inibitório do sistema nervoso. Tem ação na formação dos neurotransmissores que relaxam o corpo. Aumenta o foco e diminui a ansiedade.

 

  1. CACAU

Rico em zinco, este vegetal age na síntese e reparo do DNA. Faz com que os tecidos cerebrais sejam reorganizados e atua como intermediário em substâncias que produzem neurotransmissores.

 

  1. BANANA 

Rica em potássio, esta fruta tem a capacidade de adequar a transmissão nervosa, ou seja, ela tem o potencial de inibir o sistema nervoso, deixando a pessoa mais calma.

 

  1. CASTANHA DE CAJU

Oleaginosa rica em arginina, que tem efeito de abertura dos vasos sanguíneos. Isso faz com que o sangue chegue mais rápido nos tecidos cerebrais, nutrindo-os com vitaminas e minerais importantes para a formação de neurotransmissores.

 

  1. ACELGA

Rico em magnésio, este vegetal age na formação de energia para o cérebro. Facilita a transmissão nervosa e ajuda a prevenir depressão e ansiedade.

 

ADELE

*** Em tempo, a cantora Adele reapareceu essa semana com 30 quilos a menos. A mudança radical no shape, segundo ela, foi resultado da adoção de um novo estilo de vida por conta de recomendação médica. Em entrevista à People, a artista britânica contou que os hábitos mudaram desde 2013. Pedimos à nutricionista Dania Sanchez, de Brasília, e ao educador físico Eduardo Porto, de João Pessoa, que comentassem o novo estilo de vida da cantora.

 

 

 

A cantora Adele reapareceu com 30 quilos a menos. Ela afirmou que deixou o sedentarismo de lado, parou de fumar e virou vegetariana. Essas atitudes são fundamentais para uma dieta de sucesso?

Dania Sánchez – Atividade física, uma dieta equilibrada e a retirada de péssimos hábitos, como fumar, são fundamentais para ganhar mais saúde e qualidade de vida. Não é necessário virar vegetariano, mas, possivelmente, mesmo uma dieta vegetariana não tão boa deve ser bem melhor do que a alimentação de grande parte das pessoas. Mas quando bem balanceada, uma dieta vegetariana, pode auxiliar muito bem nas intenções de emagrecimento. Estabelecer metas reais e ir avançando no tratamento degrau por degrau pode ser uma estratégia desafiadora de motivação para atingir o objetivo final, evitando o conhecido “efeito-sanfona”.

 

Em recente entrevista, Adele disse ainda que seu marido adotou o mesmo estilo de vida. Ter alguém ao lado adotando os novos hábitos é mais fácil?

Dania Sánchez – Com certeza. Ter alguém próximo adotando os bons hábitos ajuda a colocar cada vez mais o foco na tarefa e nas pequenas metas, seja um treino, uma refeição ou dormir mais cedo. Pode haver um pouco de competição também, que se bem dosada, é saudável. É claro que os objetivos podem ser diferentes e a resposta de cada organismo também, daí a importância do profissional em deixar claro isso, para que não haja frustração.

 

A perda de peso, segunda a cantora, foi recomendação médica. E o que fazer quando alguém têm problemas graves para malhar mas precisa perder peso? Fechar a boca sem malhação resolve?

Eduardo Porto – Primeiro, é preciso especificar que problema grave é esse. Nesse caso, apenas um médico especialista poderá determinar a gravidade e decidir o melhor tratamento, que poderá incluir exercícios físicos. Há uma crença de que a musculação é contra indicada a pessoas doentes, mas dificilmente ela será totalmente contra indicada para um paciente. Seus benefícios não se restringem apenas aos anseios estéticos de boa parte dos praticantes. Pesquisas científicas envolvendo a prática de treinamento resistido (musculação) observam constantemente resultados positivos para os grupos como diabéticos, hipertensos, cardiopatas, gestantes e até mesmo crianças. Por isso, o importante é não generalizar, e assim não simplificar a musculação como um método limitado, e acabar privando pessoas de seus benefícios. O vasto repertório de exercícios amplia as possibilidades, podendo ser adaptado para cada limitação do aluno. Dessa maneira, o professor poderá planejar e executar uma rotina de exercícios, conciliando com a dieta do aluno, potencializando os resultados desejados, nesse caso, o emagrecimento. Tudo isso sem precisar fechar a boca.

 

Dietas muito restritivas, como cortar totalmente carne ou cortar totalmente carboidratos, não podem ser ineficazes a longo prazo?

Dania Sánchez -Existem diversas estratégias nutricionais para o emagrecimento. Cada pessoa reage de forma diferente e precisa de atenção e cuidados individualizados, por isso não existe uma dica ou receita de bolo. A exclusão de determinados grupos de alimentos na dieta, por exemplo, o do carboidrato, pode não ser uma boa ideia. Sua exclusão favorece a queda dos níveis de serotonina, um neurotransmissor que ajuda na regulação do sono, humor e apetite, por exemplo. Isso aumenta ainda mais o stress e a ansiedade, fazendo a pessoa comer não por fome, mas por emoção, podendo inclusive levar ao vício alimentar.

Quando falamos de emagrecer 30 kg, como no caso citado, é importante entender que a dieta precisa virar um novo hábito. Talvez a adesão ao vegetarianismo possa ter servido de impulso, por ser uma nova cultura que a cantora identificou-se. A dieta vegetariana pode ser bem equilibrada quando prescrita por nutricionista capacitado. O que infelizmente é comum é a retirada de determinado nutriente ou grupo alimentar por conta própria, sem o acompanhamento profissional adequado. É aqui que vemos o efeito sanfona.

 

Como se livrar da compulsão alimentar sem o uso de medicamentos?

Dania Sánchez – Com educação nutricional, organização e planejamento. Normalmente as pessoas comem errado porque não sabem, não querem ou não se planejaram para comer certo. Atividade física também é fundamental na liberação de substâncias que geram prazer. Melhorar o sono regula um hormônio responsável pela fome. O controle do estresse é crucial para a manutenção desses bons hábitos. E em alguns casos o trabalho conjunto com psicólogo parece ser necessário. Um estudo publicado em 1954 afirma que a comida é como um narcótico para a pessoa obesa, que procura no alimento um escape das situações estressantes da vida. De acordo com a autora, defensora da psicoterapia no tratamento dos casos de obesidade, o atendimento requer, por parte do clínico, a compreensão dos problemas psicológicos do indivíduo obeso.